Madonna “La Isla Bonita” (1987)

Talvez seja o travo latino ou as referências (não geograficamente explícitas) a uma ilha que imaginamos algures, quem sabe se nas Caraíbas… Mas, apesar de o single ter sido lançado em finais de fevereiro de 1987, não é difícil associarmos o clássico La Isla Bonita, de Madonna, a um calendário de verão.

A canção, ou pelo menos, o seu ponto de partida instrumental, esteve inicialmente apontada a outros destinos. E foi na verdade originalmente apresentada a Michael Jacskon (ou pelo menos ao produtor Quincy Jones), tendo em vista o álbum Bad (que seria igualmente editado em 1987). Recusada, acabou por rumar ao alinhamento do álbum True Blue, de Madonna no qual, convenhamos, ficou muito bem acompanhada por outras mais que cimentaram um estatuto que os dois primeiros álbuns de Madonna tinham levantado.

Se por um lado o arranjo – com a guitarra a sublinhar a herança espanhola e a percussão a vincar ecos da cultura latino-americana – representava a primeira incursão da música de Madonna por um universo cultural ao qual depois regressaria em várias ocasiões, por outro a canção acabava por fixar algumas memórias dos primeiros dias em que vivera em Nova Iorque, nomeadamente sons de salsa e merengue que recordava ter escutado nas ruas.

A letra da canção cimentou mais ainda o quadro “latino”, não revelando nunca, contudo, de que ilha aqui se fala. O San Pedro referido não é necessariamente uma cidade ou vila ou mesmo um lugar físico. De certa forma representa uma ideia de um povo e uma cultura, um pouco como cinco anos antes os Duran Duran o haviam feito com Rio.

Editado como o quinto single extraído do alinhamento de True Blue, La Isla Bonita confirmou em pleno a solidez de uma carreira que começava a deixar claro que não seria um momento de popularidade mas antes um percurso de longa duração. Com a comunicação auxiliada por um teledisco de Mary Lambert (rodado em Los Angeles) que explorava igualmente a cultura latina, o single chegou ao número um em vários territórios (Reino Unido, por exemplo), tendo atingido o número dois em Portugal. O facto de ainda recentemente termos visto e escutado La Isla Bonita – numa nova abordagem –no alinhamento da Madame X Tour (surgia no quadro da Casa de Fados) sublinha a longevidade de uma canção que se transformou num clássico.

Em 2019, inserido no lote de edições especiais do Record Store Day, foi reeditado (em formato de vinil a 12 polegadas) o EP japonês La Isla Bonita.

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