Natércia Barreto “Óculos de Sol” (1968)

Da canção original por Skeeter Davis em 1965 à leitura pop por Tracey Ullman em 1984, passando pela versão em português por Natércia Barreto em 1968 (como “Óculos de Sol”) este clássico de verão tem conseguido vencer o tempo que passa. Texto: Nuno Galopim

A história da canção começa em 1965. Assinada por John D. Loudermilk (que compôs para nomes como os Everly Brothers ou uma então muito jovem Marianne Faithfull), Sunglasses teve a sua primeira versão na voz da norte-americana Skeeter Davis. A canção cativou primeiras atenções junto daqueles que seguiam mais de perto os espaços da country, acabando mesmo por merecer, em 1966, uma nomeação para Skeeter Davis na categoria de Melhor Performance Country & Western nos Grammys.

Das várias versões que foram surgindo, uma das que mais deu que falar apareceu apenas nos anos 80, na voz da cantora e comediante Tracey Ulmann, em 1984. Sunglasses foi então o single de apresentação de You Caught Me Out, álbum que, apesar do impacte da versão de Sunglasses, não repetiu o sucesso do anterior You Broke My Heart in 17 Places, editado em 1983.

Esta canção teve também uma história made in Portugal. Em 1968, três anos depois do single original, a cantora Natércia Barreto (muitas vezes apresentada como Techa) interpretava uma versão em português que surgiu com o título Óculos de Sol. Nascida em Moçambique em 1950 iniciou ali mesmo uma carreira que lhe deu visibilidade local sobretudo através da rádio. Chegou aos discos, ainda em Moçambique, em 1968 editando uma série de EPs nos quais tanto gravou originais como versões, espelhando ali uma presença do ié ié. Aqui abordou canções recentes como San Francisco (Scott McKenzie) ou La La La (a vencedora da Eurovisão nesse ano, por Massiel)… E ao terceiro EP lá surgiram os… Óculos de Sol.

No livro Biografia do Ié Ié, Luís Pinheiro de Almeida escutou Natércia Barreto, que contou que a versão de Óculos de Sol, incluída nesse EP, foi uma decisão de última hora. Estava originalmente prevista uma canção de Tom Jones e, na véspera da gravação, a editora tinha pedido uma versão de Óculos de Sol. A versão já existia, assinada por Al Rodrigo, que então a cantava em espetáculos na África do Sul. O impate da versão de Natércia Barreto foi tal que obrigou a uma nova edição do mesmo EP já com o título da canção em destaque (na edição original era a versão de Those Were The Days, apresentada como Primavera do Amor, que tinha esse estatuto de visibilidade maior na capa).

O tempo pelos vistos não esqueceu esta versão de Natércia Barreto, e em 1983 a EMI Valentim de Carvalho lançou um novo single juntando-a, uma vez mais, à versão da canção de Mary Hopkin que tinha feito parte do mesmo EP de 1968. Mais tarde encontrámos Óculos de Sol no alinhamento do primeiro volume da série Portugal DeLuxe (NorteSul, 1997). Já no século XXI deu nome uma outra compilação (em cujo alinhamento também surgiu): Óculos  de Sol: Os Sucessos de Verão de 60 e 70 (iPlay, 2010). Três anos antes, tinha surgido igualmente em Os Reis do Ritmo (EMI-Valentim de Carvalho, 2007).

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