José Moura

É um dos fundadores da Flur, tem igualmente nas suas mãos a condução dos destinos das editoras Holuzam e Príncipe e trabalho reconhecido como DJ. Hoje fala-nos sobre os discos que tem na sua coleção.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Antes deste, muitos oferecidos, escolhidos ou não por mim. Mas talvez o primeiro para o qual deliberadamente juntei dinheiro para PARTE do valor tenha sido New Musik “Straight Lines”, 10″ importado, comprado na Caparica.

E o mais recente…

Pretty Sneaky “Pretty Sneaky”, 2LP

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Electrónica experimental, décadas de 60, 70 e 80 sobretudo; House norte-americana, década 1990; Bleep / Bass / Breaks UK, década 1980-90; Techno / IDM europeu, década 1990, Industrial, década 1980; DJ tools / discos de percussão, todas as épocas; Field Recordings / Pássaros, todas as épocas; Disco menos festivo, mais… “corporal”, décadas de 70 e 80; Dancehall digital, anos 80 e 90, etc.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Gil Mellé “The Andromeda Strain” (banda sonora). Não é bem estar à procura, sei perfeitamente onde encontrar. Como tantos outros, trata-se de esperar encontrá-los a um valor aceitável.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Telectu “Halley” LP.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Ainda não o fixei, mas será sempre um limite razoável. O máximo que paguei até agora creio terem sido 40 euros pelo LP “Dream Night Dance Music” de Exquisite Corpse (já tinha o CD). Acho que paguei o mesmo pelo LP “Discophrenia” de Ralph Lundsten. O “Halley” de Telectu também.

Lojas de eleição em Portugal… além da Flur, claro…

Difícil, essa, porque… Desde que abri a Flur em 2001 fiquei auto-suficiente na compra das novidades que quero. Quanto aos usados, praticamente desisti de encontrar cá os discos que realmente procuro. Em anos recentes, comprei muito esporadicamente (mas não posso dizer que seja cliente) na Peekaboo, Louie Louie, Matéria Prima, Carpet & Snares, Discolecção.

Trabalhar numa loja de discos mudou os teus hábitos de colecionador?

Ver resposta acima, mas um definitivo sim para compra de novidades que me interessam, porque tenho acesso a listas de distribuição. Passei a comprar mais.

Pensas na ideia de poder haver colecionadores atentos às propostas da Holuzam? 

Habitualmente não editamos a pensar em colecionadores, não somos adeptos de encarecer discos com vinil colorido e outros artifícios para atrair pessoas que não se sintam motivadas a comprar apenas porque gostam da música e de um objecto honesto.

Que formatos tens representados na coleção.
Vinil, CD e cassettes.

Os artistas de quem mais discos tens?

Atom Heart, Autechre, Bohannon, Cabaret Voltaire, Coil, DAF, DJ Sotofett, Foetus, Hula, Jamal Moss, Kraftwerk, Niagara, Omar S, Psychick Warriors Ov Gaia, Skinny Puppy, Thomas Brinkmann.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Acting Press, DFA (até 2005), Noid, Irdial Discs, Warp (até 1994), Sex Tags Mania, Trax, Warriors Dance… Mas devo dizer que raramente compro às cegas. Existe quase sempre uma maneira de ouvir pelo menos uma faixa de quase qualquer disco.

Uma capa preferida

Autechre “Incunabula”.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Não sei se ninguém gosta, mas Princess Tinymeat “Her Story: a compilation”.

Como tens arrumados os discos?

Géneros, editoras, artistas. Abro secções / agrupo discos quando a quantidade justifica. Geralmente, por algum motivo, guardo os mais recentes do lado direito.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Sobretudo alguém de quem não tenha discos e/ou que ainda não conheça.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Não está entre os preferidos mas passei a gostar muito de 10cc “I’m Not In Love”.

Já compraste discos que, afinal, já tinhas? Caso sim, quais. E o que fazes com os discos repetidos?

Sim, mas muito raramente. New Order “Ceremony”. Esse guardei. Também já comprei em vinil discos que tinha em CD. Outros que já tenho compro por vezes para vender, quando encontro a preços que permitam fazer isso. Mas vendo muito pouco. Prefiro comprar, por enquanto. E evitar os repetidos.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Talvez The Klinik “Plague”, que representa para mim uma nova era e uma cadeia de acontecimentos. Na altura (1987-88) era muito difícil e caro encontrar os discos que me interessavam e, como fazia rádio, escrevia muito para editoras e artistas. Esse disco chegou-me da editora belga Antler, dentro do primeiro de muitos pacotes promocionais que recebi nos anos seguintes. Escrevi aos Klinik e passei também a receber discos da Body Records (hoje todos valorizados), editora de um deles: Dirk Ivens. Ele está ligado a um dos actos de que mais me arrependo ao gerir a minha colecção. O Dirk gostava muito de Telectu. Na altura, ingenuamente, pedi promos ao Jorge Lima Barreto, que me disse que não tinha. Então, morto por agradar, ofereci ao Dirk exemplares meus do “Ctu Telectu” (o único que tinha) e do “Anar Band” de 1977 (felizmente tinha dois, fiquei com o outro). Esses discos tinham ido parar a minha casa, na altura em Vinhais, porque o JLB era vizinho e ofereceu-os à minha mãe. “Plague” foi também o pretexto para o primeiro artigo que escrevi para o jornal Blitz, em 1988.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Master C & J “The Legendary Master C & J featuring Liz Torres” 2LP

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