Vários “Presage(s)” (1980)

A multidão de maquetes que chegavam à nova 4AD Records, quer diretamente enviadas para os escritórios quer deixadas nas lojas da Beggars Banquet lançava mais possibilidades do que aquelas que a editora queria (e podia) chamar para levar aristas e bandas a gravar um single ou até mesmo a desenvolver um relacionamento mais prolongado. E por isso mesmo, no final do primeiro verão de atividade da editora (estreada a 1 de janeiro de 1980), Ivo Watts Russell decidiu juntar uma mão-cheia dessas gravações em Presage(s), um EP que assim se tornou a primeira compilação da 4AD.

         À exceção dos Modern English, que tinham já editado um single pela 4AD em maio e que se preparavam para lançar um segundo, os restantes nomes aqui reunidos não tiveram mais presença no catálogo da editora. E ao que parece nenhum deles lançou na verdade muito mais do que aquilo que aqui se escutou.

         Além de Home, dos Modern English (que está mesmo assim longe de ser das suas melhores criações), o melhor desta compilação é Sargasso Sea, um tema do projeto C.V.O. de John Lewis e Gareth Marshall, que supostamente terá contado com co-produção (apesar de não creditada) de Conny Plank. Em clima de minimalismo eletrónico lo-fi, o tema na verdade é mais curioso como experiência (sem consequências maiores) do que um real achado. Mas junta uma ideia dinâmica de “luz” e “maresia” que ensaia potencialidades cenográficas que o sabor a maquete da coisa não deixa, contudo, levar mais longe.

         Malignant Love, dos Last Dance – um episódio pós-punk um tanto desarrumado – fazia, com Sargasso Sea, o par de maquetes deste EP de que Ivo Watts Russel mais gostava. A 40 anos de distância o momento de inesperado music hall de Red Atkins em Hunk of a Punk ganhou uma certa patine como… curiosidade. O resto, incluindo nomes como Psychotic Tanks e Spasmodic Caress, foi (de facto) para esquecer.

         O disco foi completamente ignorado na altura e nem sequer teve direito a críticas na imprensa musical britânica sempre atenta à atividade das editoras independentes. Segundo recorda o livro de Martin Aston sobre a história da 4AD, o site AllMusic Guide, acertou largos anos depois na mouche ao descrever este disco como uma coleção de nomes de segunda linha dos reais talentos da editora, chamando-lhes mesmo projetos falhados de escola de artes.A capa foi desenhada pelo próprio Ivo Watts Russell e podemos encará-la como uma das piores de todo o catálogo da 4AD.

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