Pizzicato Five “Made in USA” (1994)

Editado em 1994 pela Matador Records, “Made In USA” é uma compilação que juntava canções dos álbuns editados pelos Pizzicato Five entre 1991 e 1993, revelando uma pop fresca que, afinal, estava em sintonia com os sinais (ocidentais) dos tempos. Texto: Nuno Galopim

Surgiram em 1979 juntando inicialmente Yasuharu Konishi e quatro outros músicos. A formação foi sofrendo transformações, mas o nome Pizzicato Five foi conquistando progressiva notoriedade. Naturalmente os primeiros ecos e reações fizeram-se notar localmente, no Japão, e a editora de Haruomi Hosono (um dos três elementos da Yellow Magic Orchestra) convidou o grupo a juntar-se ao seu catálogo, surgindo assim um primeiro disco, o EP Audrey Hepburn Complex, em meados dos anos 80. As progressivas mutações vividas internamente entre os músicos e a crescente ebulição de uma cena “alternativa” que foi ganhando forma no bairro hipster de Shibuya, em Tóquio, fomentaram mudanças constantes. Em 1990 a entrada para a banda de Maki Nomiya e a edição subsequente de uma série de EP dominados pela arte do sampling (um deles envolvendo um sample dos De La Soul) contribuiu para a criação de novos focos de atenção que, eventualmente, desencadearam entusiasmos para lá das fronteiras do Japão. A Matador Records estava atenta e assinou-os, propondo novos horizontes de visibilidade para a sua música… E o primeiro passo “internacional” chegou em 1994 com a edição de um primeiro EP e, logo depois, o álbum Made In USA.

         O disco que serviu assim de cartão de visita global para os Pizzicato Five e que, muito certamente, terá representado o momento da descoberta da banda por parte de muitos fora do Japão, não é exatamente um “álbum” de estúdio, mas sim uma compilação na qual eram recolhidos temas editados nos três álbuns que o grupo tinha já criado com Maki Nomiya. Estão por isso aqui canções originalmente apresentadas em This Year’s Girl, de 1991, Sweet Pizzicato Five, de 1992, e Bossa Nova 2001, de 1993. E de todas as canções a que imediatamente se destacou foi Twiggy Tiggy Vs James Bond, do disco de 1991.

         Apesar do ‘cocktail’ de diversidade de referências, a música dos Pizzicato Five traduzia por esta altura uma noção de festa definida por uma arquitetura suportada por batidas e de cores feitas da soma de acontecimentos, uns samplados, outros tocados, que tanto podiam visitar a música latina, a pop dos anos 60, funk, alguns temperos exóticos e climas mais jazzy, umas vezes cantando em japonês, outras em inglês (como em Baby Love Child). Afinidades evidentes com o olhar pop que uns Deee-Lite tinham lançado em Nova Iorque na alvorada dos anos 90, os Pizzicato Five eram, afinal, fruto de uma mesma cultura global. A sua entrada em cena no plano internacional surge num tempo de abertura de novas atenções pela música do japão de onde chegaram então nomes como Cornelius, os United Future Organization e uma série de músicos com grande afinidade com os universos do jazz a que a editora Mo’Wax então apresentou ao mundo ocidental na compilação Jazz Hip Jap.

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