Landscape “Norman Bates” (1981)

Um músico só não “faz” a identidade de uma banda. Mas no caso dos Landscape a figura de Richard James Burgess é central na definição dos caminhos que, pontualmente, na viragem dos anos 70 para os 80, os colocaram no coração do movimento inicialmente sem nome e que acabaria conhecido como “new romantic”. Natural da Nova Zelândia, com formação académica (em música) feita entre o Berklee College of Music (Boston) e a Guildhall School of Music and Drama (Londres), Richard James Burgess deu por si a bordo dos Easy Street em meados dos anos 70, formando mais tarde os Landscape que, em 1979, se estreiam com um primeiro disco talhado nas periferias do jazz mas por onde as emergentes eletrónicas já marcavam presença. Frequentador assíduo das noites no Billy’s e Blitz, amigo do DJ Rusty Egan, encontrou ali os estímulos para a reinvenção dos Landscape como uma banda pop, criando então o álbum “From The Tea Rooms on Mars to The Hell Holes of Uranus”, que seria editado em 1981.

Na verdade as credenciais de Richard James Burgess como figura de referência do movimento “new romantic” foram definidas pelo seu trabalho como produtor do álbum de estreia dos Spandau Ballet, banda que nasce diretamente das movimentações noturnas londrinas e que se afirma como um dos discos mais marcantes no momento de afirmação desta “cena” em 1980. Nesse mesmo ano o single “European Man”, dos Landscape abre o caminho para o seu segundo álbum, cabendo depois a “Einstein A Go Go” um episódio de sucesso que, de resto, começa a cativar atenções nos DJ sets de Rusty Egan antes mesmo de se transformar num êxito de rádio.

“Norman Bates” é na verdade o terceiro single (e o derradeiro) extraído do segundo álbum dos Landscape, mas ao invés das visões de maior protagonismo das eletrónicas que marcavam “Einstein A Go Go”, promove uma viagem sobretudo assombrada e plasticamente mais aproximada dos trilhos mais desafiantes de algumas pistas então igualmente seguidas pelos Visage ou Ultravox. Chegou ao Top 40 no Reino Unido mas acabou algo esquecido pelo tempo. O single representa ainda (mais) um episódio de relação da canção pop com os universos de ficção dos livros e do cinema, tomando como protagonista a figura de Norman Bates, criada por Robert Bloch e que Antony Perkins interpretou depois na adaptação de “Psico” ao cinema feita por Alfred Hitchcock. – N.G.

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