Ana Deus

Com uma carreira que passou já por projetos que vão dos Ban aos Osso Vaidoso, e que presentemente vive uma nova etapa como Três Tristes Tigres, Ana Deus partilha hoje connosco alguns dos discos da sua coleção pessoal.

Foto: Cristina Pinto

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Talvez tenha sido um dos Beatles…”Magical Mistery Tour” em versão livro com dois singles.
Recebi de prenda um gira discos no inicio da década de 70 e os primeiros discos foram comprados numa loja de eletrodomésticos. Os vinis estavam entre as varinhas mágicas e as panelas silampos. Comprei às cegas por ser dos Beatles e de início estranhei a bizarria do “I Am the Walrus” Mas foi entranhando… Eu teria entre 10 e 11 anos.

E o mais recente?

O último que comprei foi o “Surdina” do Tó Trips, que é a banda sonora dum filme com o mesmo nome.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Não tenho propriamente uma coleção.   Tenho memórias e uma gratidão imensa pelos discos que tive ou ouvi. Aos meus primeiros discos, os que ia namorando, juntando dinheiro e comprando (essencialmente “básicos” como os primeiros Genesis, Queen e Pink Floyd) juntaram-se outros tantos oferecidos por um amigo, vindo de Moçambique durante a descolonização, com coisas tão díspares como Moody Blues, Led Zeppelin, Frank Zappa, Sof Machine ou Can. Quando “migrei” para o Porto trouxe grande parte dos discos comigo mas infelizmente derreteram todos num incêndio no sótão onde estavam guardados. Mais tarde quando juntei trapinhos com o pai dos meus filhos curiosamente reencontrei na discografia dele alguns desses discos e ganhei  outros que até aí nunca tinha tido, como os dos nossos José Mário Branco, Zeca, Sérgio Godinho e o disco que mais ouvi na vida “Colossal Youth” dos Young Marble Giants. Em meados dos anos 90 tivemos a sorte do João Peste nos oferecer imensos discos do seu catálogo Ama Romanta. Verdadeiras pérolas como o Música de Baixa Fidelidade, Plux Quba, Illogik Plastik, Acidoxibordel, Telectu… Com o advento do CD e com os miúdos já a quererem música entrava de tudo cá em casa rock, pop, hip-hop (e as Destiny’s Child, obviamente, que ainda ouço no carro aos gritos).

Lojas de eleição em Portugal… 

Compro muito mais livros do que discos e aí a conversa seria outra, procuro em alfarrabistas e compro online. A música é fácil de encontrar e não preciso assim tanto do formato físico.  A Matéria Prima é um bom exemplo de loja de que gosto. Além de discos tem livros e outras curiosidades gráficas e o pessoal sabe receber e aconselhar.

Que formatos tens representados na coleção? 

Ainda tenho cassetes antigas muitas de faduncho e discos em shellac e já voltei a ter cassetes com alguma novas edições. CDs, vinil e pen. Todos os formatos valem agora. Pena tenho de já não ter cartuchos…

Os artistas de quem mais discos tens?

Não sei bem… mas o Manel Cruz será dos artistas mais representados com todas as suas variantes, Ornatos, Pluto, Supernada, Foge foge bandido. 

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Não compro sem conhecer.

Uma capa preferida.

Vi há pouco tempo uma capa do Dr Urânio para o disco dos Sereias que adorei. Uma colagem delirante. Também gosto muito da Illogik plastik dos Pop dell’arte.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Hum…tenho uma caixa de vinis Ray Conniff que são covers vocais mesmo cheesy, insuportáveis de ouvir mas que não  tenho coragem de deitar fora por causa das capas.

Como tens arrumados os discos?

Não sou arrumada mas para os vinis tenho estantes antigas com muitas divisórias próprias para o seu acondicionamento. Os CDs têm pior sorte. 

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Entre o Tom Zé e o Robert Wyatt. Conheço bastante mas não o suficiente. 

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Acontece mais ao contrário, deixar de gostar… 

Há discos teus que se tenham transformado em raridades?

Percebi recentemente que o “Plux Quba” do Nuno Canavarro já é uma edição valiosa.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Há muito tempo 75/76 teria eu 12 ou 13 anos depois de juntar uns trocos fui até à loja dos discos e das panelas e depois de algum tempo de escuta e indecisão entre o “In the begining” dos Genesis e o “Crisis what crisis” dos Supertramp decidi-me pelo último.  Ao chegar a casa a minha mãe convenceu-me docemente a voltar à loja devolver o disco e trazer o dos Genesis. Estou-lhe grata até hoje por isso. Assim como estou grata ao Moçambicano a quem perdi o rasto, só sei que era de Xai Xai, pelos maravilhosos discos que me deu.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Não sei bem o que é um disco menos conhecido, é relativo. Talvez um disco mais estranho como o “Um argentino no deserto” do René Bertholo. Todos os sons gravados foram produzidos por instrumentos/máquinas fabricadas pelo próprio escultor.

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