Hugo Ferreira

Começou por fazer rádio na escola, depois passou pela RUC. Em Leiria criou a Omnichord Records, que tem lançado discos de vários músicos da região (e não só). Fundou a Why Portugal em 2017. Mas hoje fala-nos da sua coleção de discos.

Na escola secundária esteve envolvido na criação de uma rádio escola. Escolheu seis opções de cursos de Coimbra para poder ir para a Rádio Universidade de Coimbra a meio dos anos 90, e este ano voltou a fazer lá programas. Regressado a Leiria, integrou a Fade In – Associação de acção cultural, criou a Omnichord Records, que tem lançado vários músicos da cidade do lis como Surma, First Breath After Coma ou Whales e que acabou de lançar a estreia a solo de Cabrita e fundou também a Why Portugal, que desde 2017, tem trabalhado a promoção e exportação da música portuguesa.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

O “Live Seeds” do Nick Cave, numa versão de CD com um livro de fotos.

E o mais recente?

Isto tem sido uma desgraça para a carteira mas um aconchego para a alma … Esta semana recebi os novos de Nick Cave, Flaming Lips, Ólafur Arnalds, Bonny Light Horseman e Do Nothing (e pelo meio veio uma compilação dupla dos Stereo Total e o The Unspeakable Gonzales) e aguardo que o carteiro me entregue Sault e Sauce and Dogs a qualquer momento.    

O que procuras juntar mais na tua coleção?

O que gosto mesmo muito e sei que vou querer ouvir mais vezes a contemplar o objecto e cumprir o cerimonial de o colocar a tocar, que, resumindo, são os discos que tenho vontade de mostrar e deixar aos meus miúdos, aos meus amigos, a quem gosto.  

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Mais do que a edição em si e se é ou não rara, prefiro o objecto em si e há dezenas de discos que tenho na lista de desejos e que queria ter em vinil e que aguardam por valores mais razoáveis ou por reedições, alguns vou mesmo picando quase todas as semanas como o “3 Feet High And Rising” dos De La Soul ou os “Handsome Boy Modeling School”

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

O “Black Rider” do Tom Waits, em vinil. 

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Há sempre um limite mas depende muito do disco e de quem é e de como me toca. Normalmente a bitola está nos 25€, mas se for uma edição especial, um dos meus gurus ou algo que me arrepia tento ver o que consigo poupar ou esticar. 

Lojas de eleição em Portugal… 

Compro muito online e ultimamente quase só em vinil e aqui perto a Auditu em Leiria e a Lucky Lux em Coimbra são uma perdição.  

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Sim, sempre. Mas nos anos de faculdade tinha mesmo a rotina das duas viagens certas por ano, Barcelona no Verão e Londres entre o Natal e o ano novo. Tenho saudades dos dias de porta a porta na Calle Tallers e das corridas entre Rough Trade, HMV, Tower, Fopp, Honest Jon’s e Intoxica!. Mas a que mais me surpreendeu e me fez sentir em casa foi a 12 Tónar em Reykjavik, mas as circunstâncias e o facto de ir sugestionado ajudaram muito.

Compras discos online?

Actualmente deve ser a esmagadora maioria. É uma alegria ter fases em que o carteiro ou a transportadora te estão sempre a deixa algo. Já se gera aquele sorriso cúmplice entre quem entrega e quem recebe.

Que formatos tens representados na coleção? 

CD e Vinil

Os artistas de quem mais discos tens?

Há pelo menos quatro nomes de quem tenho mais de 50 discos de cada (entre várias versões, suportes e formatos), tal como livros, DVDs e mais o que tiver apanhado: Tom Waits, Serge Gainsbourg, Nick Cave e Chico Buarque.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Ui… Mute, 4AD, K Records, Fat Possum, Mo’Wax, Erased Tapes, Ipecac, Bella Union, Secretly Canadian, Warp…

Uma capa preferida

“Post” da Bjork

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Talvez o “Casino Royale”, dos Axel Boys Quartet

Como tens arrumados os discos?

Por ordem alfabética para cada um dos formatos (independentemente do género musical) e um armário à mão para as últimas entradas.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Sun Ra 

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

O Trout Mask Replica do Captain Beefheart

Há discos da Omnichord que se tenham transformado em raridades?

A editora ainda não tem dez anos mas há várias edições que esgotaram como a primeira que é um split de 7” numerado com Nice Weather For Ducks e First Breath After Coma, a primeira versão ultra clear do Antwerpen da Surma e a edição em vinil duplo colorido dos dois primeiros discos dos First Breath After Coma, que também esgotou em poucos meses e já se vende a mais do dobro do preço..  

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

O Agaetis Byrjun dos Sugue Rós, que confirmou a suspeita que tínhamos na RUC logo com o Von de que eram uma banda prestes a explodir. Marcámos logo com um ano de antecedência o concerto de estreia deles em Portugal para Coimbra mas em poucos meses o disco cresceu tanto que passou da fat cat para a PIAS e a EDEL em Portugal liga-nos a dizer que iam usar a mesma data mas o concerto tinha que ser em Lisboa no CCB. Na altura não havia contratos, eram uns faxs e tal e o disco deslumbrante tornou-se doloroso de ouvir. Não os fui ver e metemos Trans Am a tocar em Coimbra nessa data . Remoí aquilo durante anos e quando acabei o curso fui sozinho duas semanas para a Islândia (em plena crise) e precisava de tentar confrontar a banda com a história só para lhes dizer que os adoro mas que ficámos muito sentidos. No primeiro dia cruzei-me logo com o Jónsi (e o Alex) que ainda se lembrava e que durante umas horas me levou a conhecer uma série de “segredos” de Reykjavik e me apresentou a uma série de nomes que nunca pensei conhecer, que me explicaram que o sentimento de comunidade e alguma estratégia fazem acontecer. Adorei a Islândia, voltei para Leiria em paz e cheio de ideias e entretanto nasceu a Omnichord e ainda hoje volto recorrentemente ao Agaetis.    

Um disco menos conhecido que recomendes…

Podem ser três? Ali de Espanha que normalmente deixa toda a gente a torcer o nariz, o “This is the Beginning of a Beautiful Friendship” do Biggot e o “Wild Fishing” da Soledad Vélez e do Japão o “Troika”, dos Sketch Show.

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