Philip Glass “Music With Changing Parts” (1971)

É por volta de 1965 que Philip Glass começa a definir para sua música um caminho que o ajudaria a afirmar, em poucos anos, a descoberta e edificação de uma linguagem. Com os poucos recursos que encontra ao seu redor (quer em Paris, onde então estudava, quer em Nova Iorque, para onde regressa pouco depois) compõe para teclados e para pequenos ensembles de músicos. As suas primeiras obras, entre as quais encontramos 600 Lines (1967), Two Pages (1968), Music In Fifths (1969), Music In Similar Motion (1969) ou Music in Contrary Motion (1969), são experiências formais que ajudaram a criar uma revolução e a afirmar uma voz criativa. Em plena sintonia com estas composições, Music With Changing Parts surgiu em 1970 e, um ano depois, representou a primeira edição em disco de uma obra de Philip Glass.

Tal como sucedia com outras composições desta etapa na sua carreira, Music With Changing Parts é uma obra aberta, com espaço para os intérpretes não só decidirem qual o instante para avançar para um novo módulo, mas também com algum espaço para a improvisação. Esta eventual afinidade com os universos do jazz é característica pouco comum na obra de Glass, mas teve nesta fase alguma expressão, não apenas aqui mas também em obras como a Parte IV de Music in 12 Parts ou a cena Building, de Einstein on The Beach.

O facto de ser uma partitura aberta fez desta peça uma obra central para atuações ao vivo, chegando uma vez a atingir as duas horas de duração (a versão “standard” em disco tem hoje perto de 61 minutos). Philip Glass e o Ensemble levaram Music With Changing Parts em digressão em inícios dos anos 70. E num dos concertos no Reino Unido contou entre a plateia com as presenças de David Bowie e Brian Eno, com quem trabalharia 20 anos depois em duas sinfonias.

Music With Changing Parts surgiu em disco em 1971 pela Catham Square Productions, uma editora ligada ao próprio compositor. A edição fazia-se num LP duplo, com fade ins e fade outs no início de cada face, cortando o efeito de continuidade que só a primeira edição em CD (em 1994, pela Nonesuch) conseguiria garantir. Em 2007 surgiu, pela Orange Mountain Music, uma nova gravação, pelo grupo britânico Icebreaker.

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