André Santos

Com o dia a dia profissional ligado à Flur (em Lisboa) e à editora Holuzam, André Santos fala-nos hoje da sua coleção de discos.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Uma daquelas compilações do Fido Dido, a “Número 1”. Lembro-me que era uma dupla cassete. Deve ter sido em 1991/1992.

E o mais recente?

Foram três. O “Vest” das Mermaid Chunky, o “From The Far Future Pt. 3” do Terrence Dixon e a “Spiritual Jazz XII”, dedicada à Impulse.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Nada em particular. Continuo a comprar discos como quando comecei a ouvir música: por curiosidade. Maior parte da música que compro nunca ouvi, arrisco. Parece absurdo quando hoje em dia é tão fácil ouvir o que se acha que quer antes, mas nunca me coordenei com isso. Prefiro arriscar, assumir, confiar no instinto. Se correr mal, correu. Raramente corre.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Gostava de ter uma óptima resposta, mas sou muito pragmático quando quero algo que quero (ou seja, compro).

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Não esperei realmente, mas fiquei muito feliz quando o homónimo dos Ike Yard foi reeditado há uns anos (e novamente em 2020). Conhecia-os apenas em temas de compilações, faltava-me ouvir o álbum. Hoje é um dos meus favoritos.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Não existe mas sou muito contido e não alinho de especulações.

Lojas de eleição em Portugal…

Sou dono de uma, por isso tem de ser a Flur. Que era onde comprava discos antes de trabalhar lá e, antes disso, a AnAnAnA. Compro alguns discos em segunda mão na Louie Louie e na Peekaboo.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Passo a vida dentro de uma e quando não estou lá não paro de pensar em discos/música. Quando estou lá fora arranjo espaço na cabeça e no corpo para outras coisas.

Compras discos online?

Sim, espontaneamente. Quando ando à procura de algo em concreto numa noite e quero tê-la naquele momento. Ou lançamentos – e não edições – que só consigo arranjar nas editoras ou junto dos artistas.

Que formatos tens representados na coleção?

Vinil, CD e cassete.

Os artistas de quem mais discos tens?

Sun Ra.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Uma parte muito substancial da minha colecção foi comprada assim. Por isso, não consigo apontar um – ou um artista – em específico.

Uma capa preferida

A do “The Ballroom Song” dos Arkansaw Man.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Não sei se ninguém gosta, mas toda a gente deveria ter o “Flaming Tunes” em casa.

Como tens arrumados os discos?

Ao calhas e pela casa toda.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Sou o patinho feio da Flur que não tem pachorra para Coil. Talvez um dia.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Tantos. Daqui a uns anos posso enumerar os dos Coil.

Como interfere o gosto pelos discos com alguém que trabalha com uma editora e uma loja de discos?

Posso falar mais na Holuzam porque é algo exponencial com o que faço na loja/Flur. É incrível ajudar a acontecer e partilhar música que está por conhecer. Para mim uma loja sempre foi um filtro – como tantos outros, como a imprensa ou, agora, o algoritmo – e eu aprendi a gostar de alguma música porque quem estava do outro lado filtrava isso por mim. Gosto de filtrar pela importância da partilha, não de criar gosto – não tenho essa prepotência – , mas de partilhar genuinamente música que acho incrível. Na loja isso existiu sempre, a editora criou um outro nível, que é fazer isso de raiz.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Houve uma altura que comprava todas as edições que encontrava do “Colossal Youth”. Nenhuma razão ou história, só uma mania.

Um disco menos conhecido que recomendes…

O “Gloss”, do Theo Burt.

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