40. Lucio Battisti “Il Mio Canto Libero” (1972)

A história da canção popular nos mais diversos países e idiomas conheceu, entre as décadas de 60 e 70, episódios de transformação rumo a uma noção diferente de modernidade, espelhando de certa forma ressonâncias das mutações sugeridas pelos ecos da contracultura que então levantou outros modos de encarar o mundo. Em Itália associamos o cantautor Lucio Battisti a esse mesmo processo. Autodidata, com início de carreira vivido entre a banda que nos anos 60 acompanhava Tony Dallara e primeiros episódios de composição para outras vozes, encontrou no letrista Mogol a outra metade de um par criativo com a mesma solidez do que uniu (na mesma altura, curiosamente) Elton John a Bernie Taupin.

Com uma discografia que deu primeiros passos a 45 rotações em 1966 e conheceu um primeiro álbum em nome próprio em 1969 (o ano em que teve a sua única participação no Festival de San Remo), Lucio Battisti foi ensaiando um caminho próprio numa série de primeiros lançamentos que cimentaram a base de um reconhecimento crítico e popular. Coube, depois, a Il Mio Canto Libero, sétimo álbum, editado em novembro de 1972, o momento em que não só revelou claramente sinais de uma maturidade artística sustentada pela solidez de uma identidade autoral, como contribuiu decisivamente para a afirmação de mudanças maiores na própria canção popular italiana.

Com canções moldadas por arranjos orquestrais elaborados, mas que nunca afogam a voz e as palavras, Il Mio Canto Libero alarga as possibilidades nos jogos e diálogos entre instrumentos face a discos anteriores e abre a etapa mais criativa da obra de Lucio Battisti, que logo a seguir lança Il Nostro Caro Angelo (1973) e o não menos marcante Anima Latina (1974), outro dos momentos mais desafiantes de toda a sua discografia. Além do impacte enorme obtido localmente, as canções de a Il Mio Canto Libero chegaram mais longe. Uma delas, Io Vorrei… non vorrei… ma se vuoi, conheceu uma versão em inglês no álbum Slaughter on 10th Avenue (1974) de Mick Ronson, com nova letra em língua inglesa assinada por David Bowie, que lhe deu por título Music is Lethal.  

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