As câmaras invisíveis que nos deixam hoje reencontrar Barbara numa apoteose em palco

Entre os dias 28 de outubro e 21 de novembro de 1981 Barbara viveu intensamente uma sucessão de 25 espetáculos num espaço expressamente moldado para a ocasião que então foi montando no hipódromo de Pantin, em Paris. O palco, as bancadas, desenhavam um ambiente para garantir uma certa intimidade às cerca de duas mil pessoas que, a cada noite, por ali iriam passar. Duas caravanas foram instaladas ali ao lado permitindo assim à própria cantora fazer daquele lugar uma “residência” de um mês. Ali dormiu, ali cantou… E na reta final desta sequência de espetáculos a gravação de um disco (Recital “Pantin 81” – Enregistrement Publique, duplo álbum editado poucas semanas depois) e a rodagem de um filme-concerto permitiram fixar a memória do que ali foi vivido.

         Vestida de veludo negro, ora de pé ora ao piano, acompanhada em palco por Roland Romanelli (acordeão), Gérard Daguerre (sintetizadores), com novos arranjos coassinados com Romanelli, Barbara tinha a cada noite um alinhamento fixo de 25 canções, às quais juntava encores que chegaram a durar uma hora. O entusiasmo com que a vemos, no filme do concerto, a agradecer os aplausos de pois de uma interpretação arrebatadora de L’Aigle Noir, é claro exemplo do entusiasmo com que ali era recebida noite após noite.

         Este recital em Pantin apresentou novas canções. Regarde era uma reação às recentes eleições presidenciais (que deram a vitória a François Mitterand, que assistiu à primeira atuação, a 28 de outubro). Pantin, por sua vez, celebrava o momento que ali viviam, e ouviu-se na noite que fechou este ciclo de concertos. O alinhamento traduzia por um lado a presença próxima de Seule, álbum de originais lançado já em 1981. Mas não esquecia clássicos como Nantes, Gottingen ou Dis, Quand Reviendras Tu?.

         Criado tendo em conta uma exibição televisiva, que aconteceu em 1982, o filme-concerto desta série de recitais em Pantin, com realização de Guy Job, nasceu depois de respondida a única exigência lançada por Barbara: que ela não visse as oito câmaras (que, para ficaram invisíveis, foram então cobertas por mantas negras). A rodagem decorreu ao longo de três noites, exigindo depois a montagem cerca de seis meses para que, sob supervisão da própria cantora, fosse dada como concluída. O filme conheceu edição em cassete vídeo VHS logo depois da estreia na TF1, com o título Barbara à Pantin. O alinhamento é aqui mais extenso do que o disponível no duplo LP, juntando as imagens o retrato de noites intensamente vividas pela cantora em palco. Além da voz os gestos habitam estas canções de forma arrebatadora.

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