Kid Loco “A Grand Love Story” (1997)

A “nova vaga” francesa que ganhou visibilidade global com álbuns, singles e máxis lançados entre 1996 e 98 pelos Daft Punk e Air (e que tiveram como consequência imediata uma focagem de atenções por aquelas latitudes e longitudes que assim nos permitiu descobrir, logo a seguir, nomes como os Cassius, Smadj ou Bang Bang, entre muitos mais) foi na verdade expressão de uma movimentação maior que juntava a estes dois nomes que alcançaram um patamar de reconhecimento mainstream uma série de outros importantes valores que, a partir de 1995, nos foram dando conta de uma fervilhante atividade por aqueles lados no departamento das electrónicas e de uma certa relação com os espaços da música noturna.

Foram determinantes discos de nomes como Ludovic Navarre (através do projeto St. Germain), Etienne de Crécy (com o mítico Super Discount, de 1996) ou Dimitri From Paris. De seu nome real Jean-Yves Prieur foi mais uma força nesta pequena multidão que devolveu a solo francês a sede internacional de descoberta da música que ali se fazia. Revelado sob o nome Kid Loco com um primeiro álbum em 1996, apresentou em 1997 um álbum que se afirmaria como um título de referência de uma segunda vaga de acontecimentos mais paisagísticos e tranquilos nascidos de espaços com afinidade com a cultura de dança (um pouco como as primeiras manifestações chill out de finais dos oitentas o haviam feito perante um relacionamento próximo com o acid house e suas cercanias).

Em regime downtempoA Grand Love Story é um disco que procura estabelecer uma sequência de quadros que partilham um clima comum entre si, ensaiando pontualmente flirts com territórios jazzy ou aceitando sugestões de algum exotismo através de ligeiras contaminações de músicas de outras paragens (como se escuta na “viagem” indiana de Love Me Sweet, num quadro de alma pastoral. Cuidado na composição e, mais ainda, nas requintadas orquestrações, A Grand Love Story é um álbum essencialmente instrumental, acolhendo pontualmente canções nas vozes do próprio músico ou contando com a colaboração de Katrina Mitchell, dos Pastels. Algo silenciado pela voracidade do tempo e até pela relativa proximidade dos climas abordados em Moon Safari dos Air e talvez pelo facto de ter surgido em cena antes do nascimento (e aplicação) do rótulo “french touch”, A Grand Love Story é contudo uma pérola electrónica orquestral dos noventas que convém recuperar.

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