Vários “Stolen Moments: Red Hot + Cool” (1994)

Depois do sucesso evidente de Red Hot + Blue, a Red + Hot Organization definiu uma estratégia de comunicação que passou a desenhar as edições seguintes de discos a nichos e grupos sociais distintos, o que naturalmente não implicava que desses novos discos não pudessem surgir edições com uma capacidade para, tal como sucedera com o tributo a Cole Porter, somar públicos e, acima de tudo, concretizar os seus maiores objetivos: recolher fundos para projetos de luta contra a sida e alertar a comunidade para a doença, a necessidade de contra ela lutar, os modos de como a evitar ou o combate ao estigma com que assombrava mais ainda as vidas de muitos. Surgiram assim volumes como Red Hot + Dance (1992) focando atenções entre uma vasta comunidade jovem que vivia festivamente a noite, No Alternative (1993) e Red Hot + Bothered (1993), ambos apontados aos públicos universitários e Red Hot + Country (1994) pensado para chegar à América profunda… Editado também em 1994 Stolen Moments: Red Hot + Cool assinalou um recentrar de alvos de comunicação em terreno urbano, somando atenções entre quem tinha o hip hop e o jazz na sua paleta de gostos. Mas mais do que apenas uma janela de comunicação, este disco acabaria por conquistar um estatuto que transcendeu inclusivamente as funções com que fora projetado, afirmando-se como um dos mais sólidos e representativos entre os retratos de um momento em que o jazz e as novas expressões urbanas da música afro-americana fomentaram um diálogo do qual surgiram não só novas possibilidades para o hip hop e o R&B, como assegurou pontes de contacto com o jazz para novas gerações de músicos e de ouvintes.

       Convém fazer aqui um ponto da situação… Por esta altura não era já novidade a presença de elementos (e até músicos) de jazz em espaços que iam do hip hop a uma nova música soul. Dos visionários que lançaram as pistas do rare groove em finais dos anos 80, juntando depois as experiências de editoras como a Talkin’Loud ou a Acid Jazz Records e séries de compilações como Rebirth of Cool ou Tottaly Wired, este era um terreno já sólido no qual tinham já emergido alguns discos marcantes, entre os quais Jazzmatazz de Guru (e convidados) e Hand on The Torch, do coletivo Us3, a quem a Blue Note abrira as portas do seu arquivo para eventuais utilizações de antigas gravações como samples.

       Stolen Moments: Red Hot + Cool surge assim, em 1994, como um episódio de síntese das possibilidades entretanto lançadas, trazendo como valor acrescentado o desafio lançado para parcerias entre novos artistas de hip hop e R&B e músicos de jazz, aqui surgindo um retrato de diálogos e cruzamentos. Time is Moving on, por exemplo, junta Donald Byrd com Guru e o guitarrista Ronny Jordan (que era então um talento em afirmação). Lester Bowie juntou-se aos Digable Planets e Wah Wah Watson em Flyin’ High on The Brooklyn Sky. Herbie Hancock colaborou com Me’Shell NdgéOcello em Nocturnal Susnhine. Roy Ayers gravou Porceed com os The Roots… São apenas quatro entre os muitos exemplos de um leque que passa ainda por França (MC Solae) e pelo Japão (United Future Organization), constatando a dimensão global do fenómeno. Na edição em CD Stolen Moments: Red Hot + Cool juntou ainda um CD extra com contribuições de Brandford Marsalis, Alice Coltrane e Pharaoh Sanders.

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