Um sinónimo de rock’n’roll no século XXI?… White Stripes…

Com um alinhamento de 26 canções, originalmente surgido nas plataformas de streaming em dezembro de 2020, eis que agora surge nos formatos de 2LP e CD a compilação dos White Stripes à qual o duo simplesmente chamou… “Greatest Hits”. Texto: Nuno Galopim

A notícia, triste, mas não necessariamente inesperada, chegou em fevereiro de 2011. Ou seja, há precisamente onze anos: Os White Stripes, uma das melhores bandas rock’n’roll com carreira na década dos zeros (com história ainda nos noventas, é verdade) anunciavam então a sua separação. Num comunicado apresentando no site oficial do duo lia-se que os White Stripes não pertenciam mais a Jack e a Meg, mas a todos, sendo o legado da sua música o que assim deixam a quem a quisesse continuar a ouvi-los.

Numa obra em disco originalmente lançada entre o single Let’s Shake Hands (1998) e o álbum Icky Thump (2007), títulos de estúdio aos quais se juntaram depois gravações ao vivo, talharam uma linguagem nascida da assimilação de heranças clássicas, dos blues ao punk passando por várias dimensões da cultura rock’n’roll, assumindo o minimalismo como importante estratégia de pensamento entre as primeiras gravações, aceitando depois o desafio de uma progressiva exploração cénica de outras referências e caminho. Cedo deixaram claras marcas de identidade e personalidade, vincando o gosto pela diferença a cada novo disco. E neste processo de progressivas descobertas Icky Thump, revelou-se como o mais surpreendente dos seus seis álbuns, juntando novas dimensões (incluindo uma narrativa com travo tex mex em Conquest) a uma genética primordial que sempre os acompanhou de fio a pavio.

Vale a pena sublinhar aqui o trabalho igualmente cuidado através do qual definiram uma imagem, processo que começou pelo assumir de uma paleta fixa de cores de trabalho (vermelho, preto e branco) e a consequente definição de fronteiras de possibilidades para o look, juntando depois um trabalho notável de criação de telediscos, para os quais convocaram realizadores como Michel Gondry ou Sofia Coppola (já agora, uma boa antologia de telediscos não seria nada má ideia).

Vinte anos depois do fim eis que agora chega a suporte físico uma compilação que, em 26 canções, traduz uma série de pontos determinantes através dos quais passou a linha de vida dos White Stripes. Não estão cronologicamente ordenados, nem o alinhamento vive apenas de singles (na verdade nem todos os 45 rotações estão aqui representados). Conta-se, contudo, uma história… Que para uns representa uma coleção de memórias. E para outros, eventuais descobertas… E para estes últimos nada como, depois, ouvir os seis álbuns de originais do duo que durante 14 juntou Jack e Meg White numa aventura rock que ganhou visibilidade, respeito e conquistou sucesso num tempo em que o rock esteve longe de ser o espaço mais habitado pelos grandes fenómenos emergentes.

“Greatest Hits”, dos White Stripes, está disponível em 2LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Sony Music.

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