Rodrigo Areias

Começou a sua vida profissional nos anos 90 como músico e editor na editora Garagem. No cinema foi director de som de realizadores como Paulo Rocha ou Edgar Pêra. Como produtor de cinema começou a sua carreira em 2001 e desde então produziu e co-produziu mais de 150 curtas, longas e documentários. As suas produções têm estreado nos maiores festivais de cinema do mundo como Cannes, Berlim, Veneza, Roterdão, Clermont Ferrand, Annecy entre muitos outros. Como realizador, está neste momento a preparar a sua 7ª e 8ª longas metragens que irá tentar filmar ainda este ano. Os seus filmes contam com mais de 30 premiações internacionais.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Quando tinha 11 ou 12 anos guardava o dinheiro do lanche durante semanas a fio para comprar discos. O primeiro dessa fase que me lembre foi o The Great Rock n’ Roll Swindle dos Sex Pistols.

E o mais recente?

By The Fire do Thurston Moore e o Cubist Blues ao vivo com o Alan Vega, o Alex Chilton e o Ben Vaughn… haa e o Minima Luz dos Três Tristes Tigres… na verdade comprei bastantes no mesmo dia, pois tinha um crédito de uma série de discos, DVDs e livros de edição nossa que havia deixado na Louie Louie do Porto e troquei o crédito integralmente por discos de vinil.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

A maior parte dos meus discos são de rock n’ roll, mas sempre tive bastantes coisas de outros géneros. Neste momento tento descobrir coisas diferentes, de outras origens como Cumbrias ou música Africana.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Não me lembro assim de nada que fique muito tempo à procura. Há muitas coisas que já tenho e depois encontro os 7 polegadas e gosto de os ter para quando vou passar música levar o single. Mas gosto de descobrir lados B de singles…

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Não tenho essa obsessão de coleccionador. Sou mais fruidor. As coisas vão aparecendo.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Não sei dizer. Mas não compro coisas excepcionalmente valiosas. Como não coleciono propriamente, compro mais para ouvir, e de vez em quando passar música.

Lojas de eleição em Portugal…

Onde compro mais discos é na Louie Louie no Porto. Gosto de entrar e perguntar: o que é que eu vou comprar hoje? E o Quintela dizer: olha ouve isto – e começa a falar sobre o disco. Isso gosto. Gosto de ser surpreendido e gosto desta interacção à antiga.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Gosto muito de visitar lojas de discos quando viajo, em Roterdão onde costumo ir todos os anos, gosto da DemonFuzz, em Londres gostava de passar sempre pela Rough Trade e em Paris a última vez fiquei duas semanas mesmo ao lado da Balades Sonores e ia lá muitas vezes…

Compras discos online?

Não. Muito dificilmente compro alguma coisa online.

Que formatos tens representados na coleção?

Maioritariamente 12 e 7 polegadas, e alguns 10 polegadas. E tenho ainda muitos CDs também.

Os artistas de quem mais discos tens?

Isso deve ser dos Sonic Youth, que tenho praí 30 discos, alguns com edições diferentes, ou reedições em Vinil.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Acho que isso acontecia comigo mais numa outra altura. Na altura da 4AD por exemplo. Agora talvez seja mais difícil…

Uma capa preferida.

Não sei se é a minha preferida, mas uma capa icónica para mim foi a do Goo dos Sonic Youth. E gosto da história dessa capa…

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Deve ser de Bandas Sonoras de filmes kitsch como o Sandokan, ou algo assim. Há discos de coisas estranhas que às vezes compro como balalaicas Arménias, só porque a capa é muito fora.

Como tens arrumados os discos?

Eu acho que estão super bem arrumados, como a minha biblioteca… mas só eu compreendo a arrumação. É por relação musical ou temática. É de uma forma muito peculiar e de difícil acesso…

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Ui… são tantos…

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Acho que não tenho. Há coisas de que nunca gostei e não me parece que venha a gostar… Não sinto que o meu gosto tenha evoluído nesse sentido, gosto mais da descoberta de coisas do que de mudar de opinião sobre algo. Sei lá, nunca gostei daquelas coisas estilo Pearl Jam, e não acho que com a idade venha a gostar, nem com a inevitável perda de audição com o avançar da idade acho que irei gostar…

De que maneira tem o cinema contribuído para as tuas compras de discos?

Gosto de comprar bandas sonoras de filmes em vinil, e por isso também gosto de editar as bandas sonoras dos meus filmes em vinil e contribuir para enriquecer essas prateleiras das lojas de discos… Mas claro que existem filmes que nos trazem grandes pérolas do passado da música, que me eram desconhecidas ou até que nos fazem ouvi-las de forma diferente, o que é sempre muito interessante.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Um dia no Mindelo em Cabo Verde, decidi ir procurar discos locais, mas na inexistência de lojas de discos aconselharam-me a procurar uma Senhora que vendia doces na rua que teria discos. Disseram-me: “na 4ª feira ela vai estar em frente à escola a vender doces e ela tem muitos discos para vender”.

Fui ter com ela, uma senhora de idade, super simpática que me levou para sua casa, era vizinha e madrinha de dois filhos da Cesária Évora e irmã do Paulino Vieira e tinha restos de edições, então comprei várias cassetes e vinis das quais várias cópias de um disco do Sum Alvarinho de título Cacau que trouxe e ofereci as outras cópias quando voltei.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Não sei se é desconhecido ou conhecido, mas estes dias comprei uma compilação de bandas dos anos 60 e 70 de Lima, de nome Peru Bravo da Tiger’s Milk Records, que contem uma década de soul, funk e psych Peruana de que fiquei grande fã. E isso fez-me ir procurar uma série de bandas que desconhecia por completo. Estas descobertas são coisas que me abrem horizontes musicais onde encontro coisas de que gosto muito e outras que gosto menos, mas que me fazem encontrar coisas que até então desconhecia.

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