Filipe Melo

Verdadeiro homem dos sete instrumentos, com trabalhos em várias frentes, da música à banda desenhada (e não só), Filipe Melo fala-nos hoje dos discos que tem em casa.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Thriller – Michael Jackson.

E o mais recente?

Ornette Coleman Trio – At the Golden Circle

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Tenho uma grande colecção de CD, mais do que vinis. Olho para a prateleira e vejo que 90% disto é jazz. A minha colecção foi construída numa altura em que era realmente obcecado por isto. Agora gostava de juntar os discos que me marcaram na infância.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Agora, nenhum. Há um lado triste e feliz na minha próxima frase: hoje em dia está tudo na internet. Aquela obsessão por procurar um disco porque pura e simplesmente não o conseguíamos ouvir de outra forma é algo que já não acontece.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Resposta honesta – um disco raro do Art Blakey chamado Standards. Andei meses em sites japoneses à procura sem sucesso, e um dia encontrei-o numa feira, por acidente.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Não existe, mas o máximo que dei foram 75 euros pela banda sonora do The Wind Rises do Joe Hisaishi.

Lojas de eleição em Portugal…

Fiquei apaixonado pela Jazz Messengers na LX Factory. Parecia que tinha voltado à minha adolescência, a ver o que ali estava. Gosto da Louie Louie, também, mas atenção que não sou um coleccionador muito dedicado.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Cresci a ir à Tower Records, Virgin Megastore – era sempre uma experiência mágica entrar nestas lojas. Hoje em dia, já não vejo disto – lojas de discos e de filmes, em objecto. Sei que ainda haverá – e sei que em Londres ainda há uma HMV que parece do antigamente, mas é uma pergunta complicada, porque é um facto que não saberia que lojas recomendar, porque estão todas fechadas!

Compras discos online?

Compro, sim, quando não os encontro nas plataformas de streaming.

Que formatos tens representados na coleção?

Alguns vinis, milhares de CD.

Os artistas de quem mais discos tens?

Miles Davis, Art Blakey, António Carlos Jobim, Bill Evans.

Há editoras das quais tenhas comprado discos mesmo sem conhecer os artistas?

Com certeza. A Blue Note, sem dúvida, e uma espanhola chamada Fresh Sound New Records. A Cleenfeed também tem vindo a suscitar o meu interesse, apesar de já ter muitos anos.

Uma capa preferida.

Aqui vão umas poucas, porque sou indeciso. Freddie Hubbard – Hub-Tones, Brad Mehldau – Largo, Bill Evans – Waltz for Debby.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Amália na Broadway.

Como tens arrumados os discos?

Ordem alfabética, tudo impecável. Arrumadíssimo – a arrumação nas prateleiras compensa o caos da minha mente.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Bach. Gostava de ter mais quatro vidas só para poder mergulhar devidamente na música desse senhor.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Lembro-me de um concreto – Nat King Cole a cantar em espanhol. O meu pai adorava, e eu odiava. Era uma embirração como outra qualquer. Passou-me, felizmente, e ainda bem, porque a música é uma maravilha.

Em que discos pensavas quando criaste a “Balada Para Sophie” (onde há música e discos)?

Obviamente, muita coisa do Chopin, lembro-me de ouvir muitas vezes o Rubinstein – tenho uma caixa integral da BMG. Lembro-me que ouvi muitas vezes a Berceuse op.57 durante a escrita. O concerto em Sol do Ravel pela Martha Argerich, tem um papel importante no livro. As lendárias Variações Goldberg pelo Glenn Gould, especialmente a versão de 1981, mais lenta. Por outro lado, ouvi muito o Liberace, nomeadamente um vinil chamado Live at the Love and Music Festival, só o título é lindo.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respetiva história?

Volto ao início da conversa. O dia em que passaram o teledisco do Thriller no telejornal da RTP. Quando vi aquilo, fiquei aterrorizado, fascinado, intrigado – era mesmo pequeno, e tive um ataque de choro. O meu irmão Diogo acalmou-me e explicou-me que aquilo era tudo a fingir. No dia a seguir, fomos comprar o disco ao centro comercial Teteia, em Benfica – mal imaginava eu que o disco teria um papel tão importante na minha vida – que ia passar horas a transcrever os arranjos do Quincy Jones (para o Michael Jackson e para o Sinatra) e que o realizador do teledisco se tornaria um bom amigo que fez com que a minha BD fosse publicada fora de Portugal. Foi mesmo um momento determinante, esse, e, por mais controverso que seja o Michael Jackson, se não fosse esse disco provavelmente eu não faria música.

Um disco menos conhecido que recomendes…

A Little Touch of Shmilsson in the Night – Harry Nillson com arranjos do grande Gordon Jenkins.

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