A música de dança, segundo Philip Glass

Uma nova edição em vinil – apresentada no formato de álbum triplo – recupera o ciclo de cinco peças que Philip Glass criou na segunda metade da década de 70 para servir coreografias de Lucinda Childs e cenografia de Sol Le Witt. Texto: Nuno Galopim

Depois de um período no qual lançou as bases de uma linguagem pessoal que, aos poucos, foi aperfeiçoando e estruturando, Philip Glass viveu parte da década de 70 a ensaiar possibilidades de maior fôlego não apenas para a sua escrita mas também para o ensemble que era, então, o principal veículo de materialização da sua música. Surgem então obras maiores como Music in 12 Parts ou Einstein on The Beach, nesta nascendo de um esforço de colaboração não apenas com Robert Wilson mas também com Lucinda Childs e outras figuras do universo da dança que lhe deram forma aquando da sua estreia em 1976 no Festival de Avignon (França). O aprofundar do relacionamento do trabalho de Philip Glass com a visão de coreógrafos (que teria expressão pouco depois em criações como In The Upper Room ou The Photographer) ganhou forma, ainda nos anos 70, na série de cinco peças que criou com o título “Dance”. Três delas – correspondendo às partes 1, 3 e 5 – foram pensadas para o Philip Glass Ensemble, correspondendo as duas restantes – 2 e 4 – a composições para órgão solo.

         Retomando o contacto com Lucinda Childs, juntando ainda a contribuição cenográfica de Sol Le Witt, o ciclo Dance, nas suas cinco parte com cerca de 20 minutos de duração cada uma – ora exibem a exuberância rítmica e a arquitetura formal que a música de Glass entretanto havia alcançado, explorando uma relação com o efeito da repetição e duração que pouco depois cederia lugar a visões mais curtas (como o exemplificaria Glassworks, de 1982). O texto de Richard Horn, que acompanhava a edição em 2LP e CD que fixou pela primeira vez a gravação integral deste ciclo em 1988, e que agora surge na contracapa da reedição, notava a presença de ecos dos ambientes de feira e carrocéis que se podiam escutar nas partes 1 e 3. Na verdade a estas afinidades podemos juntar uma clara ligação às demandas que entretanto definiam várias sequências de Einstein on The Beach, assim como são claras ligações entre o que aqui escutamos e peças como Rubric de Glassworks ou vários momentos de North Star (onde o órgão por vezes sobressai, surgindo aí afinidades com as partes 2 e 4 deste ciclo).  

         As partes 1 e 3 conheceram primeira edição em disco em 1979 numa gravação do Philip Glass Ensemble que apenas gravaria a parte 5 em 1984. As partes 2 e 4 foram respetivamente interpretadas por Michael Riesman e pelo próprio Philip Glass e gravadas em 1985. Como acima foi já referido uma primeira edição completa de Dances 1-5 surgi em 1988 através da CBS. A presente reedição em vinil estende o formato desse lançamento original do álbum duplo para o triplo, apresentando cada segmento numa face de cada disco (na edição original as partes 3 e 4 estavam acotoveladas na face A do disco 2).

“Dances 1 – 5” de Philip Glass, tem nova reedição em formato de 3 LP pela Music on Vinyl

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