Vasco Completo

No momento em que edita o álbum “Wormhole”, Vasco Completo fala ao Gira Discos sobre os outros discos que tem em sua casa.

Foto: Filipa Completo

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Já não estou certo, mas ou foi o Metallica dos Metallica, ou o Nevermind dos Nirvana (que está perdido, nem quero falar sobre isso).

E o mais recente?

Comprei finalmente o Black Sands do Bonobo e o Madvillainy dos Madvillain em CD — já os queria há anos e anos: o primeiro é uma das minhas maiores influências, o segundo foi dos primeiros na minha introdução ao hip-hop —; e a SUPER V/A, compilação da Padre Himalaya, em vinil.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Tanta coisa… Nem consigo enumerar. Já me inteirei que nunca vou poder ter todos os que quero. Mas posso dizer que queria muito ter as edições limitadas do Blonde (em vinil ou em CD com a revista Boys Don’t Cry) e do Endless (DVD+CD) do Frank Ocean. Na altura não os apanhei porque não tinha dinheiro. O mesmo com o Ritual Spirit EP dos Massive Attack. Além disso, queria muito ter o Eureka Jim O’Rourke, todos os discos entre o Ok Computer e o Hail To The Thief da discografia dos Radiohead, alguns dos Sonic Youth (vendi o Daydream Nation há uns anos para comprar mais discos e arrependi-me rapidamente), o Mixtakes do Profjam, The Expanding Universe da Laurie Spiegel, a compilação mono no aware da PAN, o resto da discografia do Tyler, The Creator, o resto da discografia do James Blake, os últimos dois do A$AP Rocky, o Maxinquaye do Tricky, a discografia do Oneohtrix Point Never… Tanta coisa, nunca mais saía daqui!

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.
The Man Machine dos Kraftwerk é um deles, sem dúvida.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Tenho vários assim, mas posso mencionar especialmente o Rival Dealer do Burial que queria mesmo muito e não via em lado nenhum (e na altura dava-se por esgotado no Bandcamp da Hyperdub). Acabei por mandar vir da CD GO. 

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Depende muito do período da minha vida (se estou a trabalhar ou não, basicamente), mas custa-me dar mais de 10€ por cassetes, 19€ por CDs já é muito, e custa-me dar mais de 28€ por vinis. Mas há excepções… 

Lojas de eleição em Portugal…

O meu coração vai para a Louie Louie de Lisboa, porque foi por onde comecei a fazer o meu digging. Hoje em dia vou mais à Flur, que também adoro, porque vai bem mais de encontro àquilo que oiço hoje em dia. A Matéria Prima no Porto é doutro mundo.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Sempre que consigo. Não sou tão viajado quanto gostava, mas adorei ir a Londres e ver a Rough Trade, a Phonica e até a Fopp, que tinha muita coisa que não há por cá. Da primeira trouxe SZA e Vince Staples, que via pouco cá. Da segunda foi só uma T-shirt, mas fiquei assoberbado com a loja. Quando estive em Paris, encontrei também algumas fixes mais pequenas. Há umas ruas particularmente fixes com muita coisa, desde lojas de discos a lojas de instrumentos, uma na Rue de Rome em Saint-Lazare, outra perto de Pigalle.

Compras discos online?

Sim. Embora não tenha o mesmo prazer, adoro quando o carteiro chega e tenho de desempacotar tudo. Muitos da Louie Louie; da Flur; já encomendei da CD GO, como disse; e ainda Bandcamp e Boomkat.

Que formatos tens representados na coleção? 

CD é grande parte da colecção, porque é o formato que mais gosto de todo, foi com esse que cresci, e é bastante económico, em comparação. Há também uma dezena de cassetes e de vinis que fui comprando, maioritariamente de lançamentos que não têm a opção do CD. 

Os artistas de quem mais discos tens?

Acho que são os Pink Floyd e os Metallica, porque são ambas bandas com discografias muito longas. Dos Pink Floyd tirei alguns ao meu pai. Dos Metallica comprei-os mesmo durante a adolescência, ouvi-os bastante. De outros que tenho a discografia completa, ou quase completa, lembro-me dos System Of A Down, dos Massive Attack ou dos Placebo. Curiosamente, algumas destas referências evidenciam pouco do que são os meus hábitos de escuta, mas demonstram muito do que é a minha base durante a adolescência. 

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Só me estou a lembrar da 12k e da Eastern Nurseries, duas editoras incríveis de música ambient — a segunda é do Porto e recomendo vivamente. 

Uma capa preferida

Wish You Were Here dos Pink Floyd. Embora a capa do The Dark Side Of The Moon seja bem mais marcante, o sucessor é um álbum que me diz muito mais, mesmo a nível de conceito, e a capa, associada àquela coisa do “ser queimado” na indústria da música (e não só), ao mesmo tempo que é simplesmente tão poética a imagem de dois homens a apertar a mão entre dois armazéns, enquanto um está a ser queimado.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

AB III dos Alter Bridge é capaz de ser o que se encaixa melhor nessa descrição (risos). É uma banda que é… pouco fixe. Mas ouvi muito ali numa fase da adolescência que aquilo me disse muito numa cena mais rockeira. Hoje ainda guardo como um disco que me influenciou muito, embora oiça muito muito menos.

Como tens arrumados os discos?

CDs e cassetes estão por ordem alfabética, o vinil está por género e editora, mais ou menos — mas são menos, por isso ainda não requerem muita arrumação, infelizmente. Só os CDs é que têm uma estante própria, e já estão a precisar de mais uma não tarda…

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Tantos… A ter de escolher um, vou dizer Sun Ra.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Acho que o melhor exemplo que tenho disso, é o good kid, m.A.A.d city do Kendrick Lamar. Nas primeiras vezes que ouvi, reconheci automaticamente o valor artístico dele, consegui perceber que era um músico especial, mas não gostei muito da voz. Embirrei ali de alguma maneira. Quando saiu o To Pimp a Butterfly, comecei a minha volta de 180º, e hoje em dia, esses dois discos estão no meu top25 (eu tenho um top grande…).

O que sentes ao ter em mãos um disco teu em suporte físico? Qual é o sabor de uma edição física na era da música digital?

Não é de fácil descrição, mas há qualquer coisa de mágico em poder agarrar com as próprias mãos a cópia de uma parte de alguém (ou de vários alguéns). Quando temos música que nos importa de uma determinada maneira, o disco encapsula todas as memórias e sensações que essa música significa para a pessoa, e isso é algo diferente da escuta digital, que embora seja óptima, tem um menor peso e importância para nós, que não a conseguimos ver e sentir fisicamente.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Vou escolher o Clandestino de Manu Chao. Não comprei o disco, mas compraram os meus pais. Lembro-me de ser música que ouvíamos de quando a quando de férias, em viagens de carro, e todos gostávamos: os meus pais, a minha irmã e o meu irmão. Ficou sempre na minha memória como um disco da minha infância, mas quando fui de Erasmus para Paris, numa festa na residência universitária que houve logo na 2ª semana, estava a tocar guitarra e pediram-me para tocar Manu Chao. Eu nem sabia tocar, mas adorava. Então aprendi num instante a “Clandestino” e cantámos todos. Acabou por ser um dos 5 álbuns que mais ouvi nessa experiência tão enriquecedora de estar em Erasmus numa cidade como essa. No final, ainda fomos beber a um bar na zona onde o próprio artista tinha vivido em Paris. Inesquecível.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Muito difícil escolher só um. Vou dizer o Naomi dos HRNS.

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