Vários Artistas “Polystar 86” (1986)

Entrar no alinhamento desta edição de 1986 da série Polystar é como mergulhar na memória do programa que, por aquela altura, apresentava o Top dos singles e dos álbuns mais vendidos da semana em Portugal. É que, durante semanas a fio, foram precisamente liderados por Nikita de Elton John e pelo álbum Bem Bom, de Gal Costa. A vantagem do LP é que, depois de passadas duas faixas, não temos de as voltar a ouvir na semana seguinte (a menos que assim o desejemos)…

         Se Gal Costa e Elton John fixam, logo na abertura do lado A, a memória dos pesos-pesados dos maiores sucessos de vendas daquele tempo, já o restante alinhamento – definido entre edições dos catálogos da Polygram – é um verdadeiro cocktail de sabores, uns a apontar para a pop, mas muitos mais a descambar para o popularucho, raras sendo as exceções. E podemos começar logo aí, com De Voz em Voz de Paulo de Carvalho a representar o álbum Homem Português (o sucessor de Desculpem Qualquer Coisinha, do ano anterior) e o veterano Johnny Nash com Rock Me Baby, um dos seus hits tardios, quando ainda ninguém imaginava que o seu I Can See Clearly Now, de 1972, teria nova vida em 1989 à conta de um anúncio televisivo para uma bebida com café… Juntamente com Gal Costa e Elton John, Paulo de Carvalho e Johnny Nash representam o contingente dos “veteranos” num alinhamento em que ainda surgiam os mais festivos Uma Balalaika de José Cid e Dá Cá Um Beijo, de Roberto Leal, aqui com sabor a folias de verão pelas aldeias do país fora…

         Mas apesar dos êxitos “veteranos”, o clima dominante da saison era o europop, mas já naquela segunda vaga mais copista e espertalhona. E se Bolero (Hold Me In Your Arms Again) de Fancy é aqui a marca de um dos nomes de “referência” desse universo, já I’m a Lover do projeto italiano liderado pela voz de Andrea (e de apelido Delfino) ou o inenarrável Touch By Touch dos austríacos Joy (que faziam um Baltimora parecer coisa gourmet) mostram o real estado da nação europop por aqueles dias. Não deixa de ser interessante, 35 anos depois, reconhecer aqui frentes de produção com impacte à escala europeia que transcendiam as fontes mais clássicas anglo-americanas. Esse universo, curiosamente, está aqui apenas representado pelo (belo) Venus das Bananarama e pelo inconsequente Sara, o single que se sucedeu a We Built This City na discografia dos Starship. De certa maneira podemos incluir nesta sequência “pop” o tema instrumental Fourth Rendez Vous, de Jean Michel Jarre, que era outro dos lugares-cativos do programa que nos dava conta dos topes de vendas. Resta dizer que deve ser das criações mais aborrecidas do músico francês…

         Para fazer o retrato dos 14 temas aqui reunidos falta referir Qu’est-ce que C’est, um dos dois singles do fugaz projeto pop Splash (onde reaparecia Tight Fit) ou o brasileiro Wando, ao som de Fogo e Paixão. Há claramente edições mais apetitosas na série Polystar. E poucas descambaram tão para o pop(ularucho) como esta. Mais surpreendente é a imagem do urso croupier que vemos na capa…

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