Alexandre Monteiro

Chama-se Alexandre Monteiro mas é natural que estejamos mais habituados a vê-lo a responder sob o nome do projeto The Weatherman. “All Cosmologies” é o seu novo álbum e dia 19 é apresentado na Casa da Música (Porto). Mas hoje o Alexandre fala-nos dos discos que tem em casa.

Foto: Maria Louceiro

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Foi o álbum de estreia, homónimo, dos The Clash. Coincidiu com uma altura em que, na início da minha adolescência, eu já sonhava ardentemente em ter uma banda, e lembro-me que nessa época eu passava tardes inteiras na Tubitek a vasculhar as prateleiras de fio a pavio. É engraçado reparar que assim que formei a minha primeira banda, éramos 3 elementos, tal como na capa desse disco.

E o mais recente?

Hotel California, o clássico dos Eagles, que curiosamente coincidiu com uma recente visita à Tubitek, há duas semanas atrás, enquanto passeava com o meu “New Kid In Town” bebé de dez meses pelas ruas da baixa do Porto. Ofereci-o à minha mulher, pois a “New Kid In Town” foi banda sonora do nosso casamento.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Bem, eu funciono por fases. Uma vez, por exemplo, andei obcecado por colecionar discos piratas dos Beatles. Foi uma obsessão que durou vários anos, e depois afrouxou um pouco quando foi editada a antologia da banda, que continha muitas dessas gravações que eu já conhecia, mas desta vez sem o filtro da obscuridade. Depois tive a fase indie-cantautores, e agora estou na fase dos clássicos, quero ter os grandes clássicos, em vinil!

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Ando à procura de um vinil do Pet Sounds dos Beach Boys em versão instrumental. Na verdade nem sei se existe, mas quero acreditar que sim.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Pacific Ocean Blue, do Dennis Wilson.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Não creio que haja um limite, embora nunca tenha gasto fortunas num disco. Pensando bem, não creio que tenha gasto mais do que 40 euros num disco. Por outro lado, se o preço de um disco que tenho em boa conta for demasiado baixo, é de desconfiar, especialmente se for usado…

Lojas de eleição em Portugal… 

Tubitek, Louie Louie, Porto Calling, Vinyl Disk, Muzak, Matéria Prima, Music and Riots, Galáxia.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Sim, são paragem obrigatória. Lembro-me do prazer de visitar lojas de discos na Holanda, em cada cidade onde toquei em 2014. Trouxe bons discos, mas também tive desilusões: comprei o vinil triplo “Wings Over America”, usado, mas vim a descobrir que estava bastante riscado. Lá está, preços baixos são sempre para desconfiar. Por outro lado, ter tempo livre em Londres é sinónimo de ir à Rough Trade.

Compras discos online?

Não, tenho sempre o receio que algo possa acontecer durante o envio.

Que formatos tens representados na coleção

Os LPs ganham aos singles e aos EPs em larga vantagem. Sou um homem dado a longas durações, claramente.

Os artistas de quem mais discos tens?

Os Beatles têm clara vantagem, tanto enquanto banda como enquanto artistas solo, não porque tenha necessariamente a discografia toda, mas porque tenho imensos discos não oficiais. É bem possível que em segundo lugar esteja o Elvis Costello.

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

Não creio que alguma vez o tenha feito. Nunca me interessei por editoras, em detrimento dos artistas, mesmo que algumas tenham uma linha editorial muito forte.

Uma capa preferida

Poucas são as capas de discos que quando as visualizo o álbum respectivo toca imediatamente na minha cabeça – isso acontece-me por exemplo com o “13” dos Blur, em que a pintura da capa é da autoria do guitarrista Graham Coxon.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

O último álbum, póstumo, do Elliott Smith. Não estou certo de que ninguém gostar dele corresponda propriamente à verdade, mas é um disco que penso que pela sua aura incrivelmente triste, muita gente fuja dele, e evite ouvi-lo. Tenho em vinil, e adoro, mesmo estando conectado com a morte dele.Tem músicas muito bonitas, e continua a influenciar as novas gerações de cantautores.

Como tens arrumados os discos?

Aleatoriamente. Não dou importância a categorizações, acho que a vida é demasiado curta para se gastar muito tempo com isso. Os discos que ando a ouvir num determinado período são os que estão mais à mão.

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Janis Joplin

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

69 Love Songs, dos Magnetic Fields. Adoro tudo acerca deste disco, o conceito, as letras, as canções, mas primeiro tive que interiorizar a voz do Stephen Merritt. Adoro quando os discos partem de conceitos e ideias out of the box, e tento também fazer isso sempre que escrevo.

Dos discos que já fizeste quais são já peças de coleção?

É curioso como as coisas funcionam por vezes na música. Quando lancei o meu segundo disco, “Jamboree Park…”, em 2009, estava longe de imaginar que passados dez anos iria continuar a receber elogios, nomeadamente vindos de outros músicos, alguns deles de uma nova geração. O teste do tempo é algo realmente importante para testar a qualidade da música, e a sua intemporalidade, e é assim que chega o reconhecimento, por vezes tardio.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Bem, quando tinha uns 15 anos comprei o Never Mind The Bollocks dos Sex Pistols, e tive uma fase de uns meses em que tinha a mania que me ia tornar num punk, e então sucederam-se alguns episódios um bocado estúpidos. Espetava alfinetes nas sapatilhas, rapei o cabelo, fiz uma crista, e destruí a casa de banho da minha escola com um paralelo… punks are not dead, mas este Alexandre punk já não existe, a bem da humanidade.

Um disco menos conhecido que recomendes…

The Beatles Live At The Hollywood Bowl, edição de 2016 – uma gravação em três pistas, uma banda que mal se conseguia ouvir em palco, e no entanto um concerto cheio de energia, coesa como nenhuma outra, a transpirar vitalidade por todos os poros. Provavelmente o melhor disco ao vivo de sempre.

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