Sérgio Redondo

Sociólogo de formação, informático de profissão, melómano e audiófilo por vocação… criou a loja Vinyl Gourmet em 2013 porque conta que entrou “em pânico perto de chegar aos 40 anos” e decidiu “que não ia passar o resto da vida a não-fazer” o que mais gostava.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Na verdade não me recordo, havia demasiados discos em minha casa quando era miúdo, e comprar um disco, mesmo o primeiro, terá sido um acto revestido de uma naturalidade que não mereceu grande memória… Mas recordo-me bem do primeiro disco que comprei quando regressei ao vinil décadas depois, foi a box “In A Frozen Sea: A Year With Sigur Rós”, 7 LP que me marcaram bastante e que, por se tratar de um regresso a um formato que estava completamente esquecido, garantiu lugar nas recordações do dia-a-dia.

E o mais recente?

Há minutos: Radare Im Argen

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Nada de concreto, vou onde a música me levar, não penso nos discos como uma colecção e tento cada vez mais descartar-me do que está a mais, não quero ser um “hoarder”, nem tenho pretensões de arquivista, a ideia é mesmo ouvir música, com o melhor som possível, tirar disso o máximo prazer e aprendizagem.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

Normalmente não persigo discos, se descubro algo de que gosto mesmo e que quero ter, não aguento longas esperas… na verdade não sou assim só com os discos. Não me recordo de desejar unicórnios, muito menos de esperar por eles…

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Nunca me aconteceu tal coisa… sou um péssimo coleccionador.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Não imponho limites… O preço e o valor são coisas diferentes, estou sempre disposto a pagar o preço do valor de um disco, desde que goste da música, do som, e seja para usufruir, pago tanto como esses três factores o valorizarem.

Lojas de eleição em Portugal… 

Compro muitos na minha loja, porque dá imenso jeito, não pago estacionamento e conheço bem o proprietário… Por vezes saio da cozinha e dou de caras com um grande disco para comprar logo ali! De vez em quando, mas cada vez mais raramente, faço uma romaria pelas Louie Louie, Carbono, Flur, o costume… Na Fnac também, e muito mais vezes, passar por lá e ver livros, discos, etc, faz parte dos hábitos familiares quase diários há muitos anos desde que abriu cá em Portugal e também no estrangeiro, antes disso.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Sim, sempre… Não recomendo nada em especial, suponho que ainda não estive nas que são mesmo boas.

Compras discos online?

Sim constantemente… Na verdade compro de tudo online há muitos anos, chegou ao ponto de mandar vir por exemplo um tampo de sanita da Amazon pois era a única loja que tinha o modelo específico da minha… É surreal, se me dissessem que um dia faria tal coisa, há 10 ou 15 anos atrás, era um fartote de risada! O mundo mudou muito… O vinil ficou. Aposto que sou o primeiro a falar de sanitas neste questionário!

Que formatos tens representados na coleção? 

LP 12″ 33rpm e 45rpm, 10″ 33rpm e 45rpm, 7″ 45rpm, CD, DVD-A, SACD, ficheiros de todo o tipo, Spotify e YouTube…  

Os artistas de quem mais discos tens?

Provavelmente Miles Davis e Pink Floyd… voltando à pergunta 1 é bem possível que o primeiro disco que comprei tenha sido algo de Pink Floyd…

Editoras cujos discos tenhas comprado mesmo sem conhecer os artistas…

ECM

Uma capa preferida

Bill Evans Jim Hall Undercurrent e Love And Rockets Love And Rockets… faz de conta que é só uma.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

Dire Straits Making Movies… Normalmente o que reúne menos likes (hoje em dia é likes certo?), mas sempre foi o meu preferido.

Como tens arrumados os discos?

Depois de lavados e com as capas interiores/exteriores novas, são arrumados em diversas estantes do Ikea (Expedit e Kallax) pela ordem de compra, numerados e registados num simples ficheiro XLS (mas onde guardo quilómetros de informação sobre a edição e um log de audição detalhado), a ordenação lógica é feita no ficheiro, a localização física determinada pela numeração. Box sets, pelo tamanho, têm prateleiras dedicadas, sem ordem especial…

Um artista que ainda tenhas por explorar…

Quase todos… sei lá assim de repente lembrei-me do Zappa. É a vida…

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

Nunca gostei dos discos Radiohead pré-OK Computer… Mas agora deu-me para isso. Os gostos e preferências são areias muito movediças… dito isto, enquanto escrevo estou a ouvir uma cover maravilhosa de Weird Fishes pela Lianne La Havas, que brutalidade!

As edições para audiófilos no que diferem das outras? E têm um circuito de lojas próprio?

Sim e sim. Edições audiófilas definem-se pela melhor qualidade sonora possível (para a gravação em causa) e pela pureza de processos e rigor técnico dos métodos de masterização, sendo que quase sempre são a mesma coisa, a verdadeira qualidade de som não se consegue de outra forma. Para uma edição ser audiófila, deve obedecer a uma série de critérios, desde a utilização da melhor fonte disponível (a fita master original, ou a multipista da sessão de gravação), ao bom gosto do engenheiro de masterização, passando pela qualidade e características do seu equipamento, e mais tarde culminando na qualidade da prensagem, sendo que para este tipo de edições nem todas as fábricas estão qualificadas ou capazes de prensar discos com a melhor qualidade física. Pela natureza de nicho deste tipo de edições, e porque na sua grande maioria são editoras dos EUA ou de outros locais fora da União Europeia e fora do circuito fonográfico habitual, também as lojas que os vendem são quase sempre muito especializadas nesse nicho de produto e mercado que obedece a lógicas comerciais muito diferentes do habitual.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respectiva história?

Só tenho uma história triste e rápida… Um dia comprei um José Cid 10.000 Anos Depois Entre Vénus E Marte, quando já tinha um valor de mercado bem elevado, foi já depois de 2009 penso eu. O meu exemplar que veio de um coleccionador nos EUA, estava imaculado, um original genuíno em estado “time capsule” que nem dava para acreditar. Nesse mesmo dia, abro a capa, tiro o disco para o pôr no prato… E a primeira coisa que lhe faço é um risco enorme que atravessa quase todo o lado A. Nunca mais encontrei outro naquele estado tão virgem. Afinal tenho outra história… Em casa dos meus pais era habitual ouvir os Operários do Natal em Dezembro, quando no início dos anos 80 o meu pai decidiu oferecer toda a sua enorme colecção de LP’s para se dedicar inteiramente ao CD (talvez a pior decisão da sua vida), esse disco foi um dos que desapareceu… Mas 30 anos depois, reencontrei esse mesmo disco (o que era do meu pai), que tinha preenchido a minha infância, e agora está aqui em casa, toca todos os anos desde que a minha filha nasceu, um dia será dela.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Talvez um Gabor Szabo Dreams… se calhar até é bem conhecido, mas fica recomendado na mesma.

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