Bill Pritchard “Jolie” (1991)

Nem sempre somos conhecidos no lugar onde nascemos. Bill Pritchard é um exemplo desta realidade. Cidadão britânico, nunca foi contudo um “caso” de popularidade ou mesmo de reconhecimento crítico entre os seus. Já em França a sua obra representou, sobretudo em finais dos anos 80 e inícios dos noventas, um verdadeiro caso de culto. O fenómeno (local, entenda-se) nasceu em 1989 com o seu álbum Three Months, Three Weeks & Two Days, que contava com produção de Etienne Daho e, no tema Tommy & Co (extraído como single de apresentação), com a colaboração vocal de Françoise hardy. 

Jolie foi o passo seguinte. Editado em 1991 o disco seguia os caminhos indiciados pelo álbum de 1989, investindo numa luminosidade pop (que não ofusca nunca o tom naturalmente melancólico da sua voz, que na altura chegou a ser comparada à de um Lloyd Cole), ao que não será estranha a presença de Ian Broudie na produção. Recorde-se aqui que, por essa altura, Broudie lançava o segundo álbum do seu projeto pessoal (os Lightning Seeds) através do qual desenhava uma linguagem pop essencialmente sustentada pelas guitarras, que de certa forma sugere caminhos semelhantes aos que Bill Pritchard toma em Jolie.

Com a presença de algumas marcas de vivências francesas (um dos temas temas apresenta o Gustave Gafe, outro fala das lágrimas de Maxime, e o próprio álbum tem por título uma palavra em francês), Jolie é um disco pop feito de canções bem construídas, moldadas sob uma ideia de produção firme que garante um rumo concreto ao longo das dez faixas que apresenta.

Temas mais solarengos (como Number Five, Pretty Emily ou Violet Lee) ou instantes com sabor a fim de tarde (I’m In Love Forever ou In The Summer) fazem a história de um disco que transporta uma ideia tranquila de Verão. Não como expressão dos dias quentes como o fazem aquelas canções tolinhas que todos os anos são eleitas por uma estação, são cantaroladas à exaustão e depois acabam para lá do limiar da paciência, mas antes uma visão ciente de que há histórias com gente dentro também nesses dias de maior calor.

Um pensamento

  1. Lembro-me muito bem do “Number 5” mas já não me lembrava de quem cantava. Também me fez lembrar “Nº1” de Thomas Leer que também não teve sucesso.

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