José Alberto Vasco

Colaborou na imprensa escrita e radiofónica. Foi co-fundador, co-organizador e presidente do júri do Concurso de Música Moderna de Alcobaça. Escreveu e publicou seis livros. Nos últimos anos tem-se dedicado às artes de representação visual e à atividade de DJ.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

Foi o Islands, dos King Crimson. Primeiro de uma série iniciada quando decidi deixar de fumar para comprar discos. A ideia resultou.

E o mais recente?

Foi o Let The Free Be Men, do Rodrigo Amado com o seu This Is Our Language Quartet. Já esta semana, num concerto do próprio a solo em Caldas da Rainha.

O que procuras juntar mais na tua coleção?

Nunca me considerei propriamente colecionador, mas sempre procurei qualidade na diversidade. Lição aprendida com o meu pai e com o Jorge Lima Barreto.

Um disco pelo qual estejas à procura há já algum tempo.

O Exposure, do Robert Fripp. Numa ida a Londres, em 1993, perdi-me literalmente na Virgin Megastore da Oxford Street e decidi fugir dali para o mercado da Camden Town. Numa das suas bancas encontrei esse e outros discos que ambicionava e trouxe alguns. Julgava tê-lo incluído, mas só no hotel reparei que o tinha esquecido. Até hoje.

Um disco pelo qual esperaste anos até que finalmente o encontraste.

Calhou-me a sorte grande já no início deste século, numa livraria do Bairro Judeu de Praga que também vendia CDs. Dois em um, com a Glagolitic Mass do Janácek e a Hamlet Improvisation do Kabelác em interpretações da Czech Philharmonic. E só tinha lá entrado para comprar um dicionário de Checo-Português.

Limite de preço para comprares um disco… Existe? E é quanto?

Nunca tendo sido um colecionador compulsivo, sempre me habituei a pagar apenas o preço lícito. Quem me dera poder dizer o mesmo em matéria de concertos.

Lojas de eleição em Portugal…

A extinta Electrolis, em Leiria. Era uma secção de venda de discos numa loja de eletrodomésticos, mas foi lá que comprei as minhas pérolas mais significativas em matéria de free jazz, numa época em que essa era a minha acentuada sedução musical.

Em viagem lá fora também visitas lojas de discos? Quais recomendas?

Apó a traumática experiência londrina, evito. Com a exceção da Transbord, situada em Andorra La Vella, na avenida Meritxell, cujo primeiro andar é um autêntico paraíso para amantes de música culta contemporânea.

Compras discos online?

Nunca. Evito fazer compras online.

Que formatos tens representados na coleção?

Vinil, CD e cassete áudio. E algumas coisas em DVD, se isso se pode aqui considerar.

Os artistas de quem mais discos tens?

A marca do free jazz acentua-se neste caso, com o Cecil Taylor a fazer de campeão. O John Zorn ocupa o segundo lugar e os Telectu asseguram o terceiro.

Há editoras das quais tenhas comprado discos mesmo sem conhecer os artistas?

Sim. Na primeira metade da década de 1970, da Shandar, especializada e centrada no free jazz. No final da de 1980, da Ama Romanta, da qual comprava sonhos convertidos em realidade.

Uma capa preferida.

A de Carlos Zíngaro para o seu The Sea Between com Richard Teitelbaum. No meu livro Música & Água / Evolução Provável de Um Relacionamento Físico & Espiritual atrevi-me até a estabelecer uma analogia entre ela e a pintura de Hokusai escolhida para ilustrar a partitura original de La Mer, de Debussy.

Um disco do qual normalmente ninguém gosta e tens como tesouro.

O Vol 1 do Nuits de La Fondation Maeght, de Sun Ra. Não é nada fácil escalar os 19’45” da sua face B, The Cosmic Explorer, uma inquietante viagem espacial pilotando um sintetizador Moog. Seja-me concedido referir que tive a felicidade de assistir a um concerto de Sun Ra e da sua Arkestra ao vivo e que isso subsiste como uma inesquecível experiência de vida.

Um nome que ainda tenhas por explorar…

A Billie Eilish. Suspeito estar ali uma autêntica arca do tesouro em termos de imaginação e criatividade.

Um disco de que antes não gostasses e agora tens entre os preferidos.

O Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols. Apanhou-me desprevenido, a marinar nas águas do progressivo, mas curei-me rapidamente dessa distração.

Que discos associas a memórias do Bar Ben?

Não posso esquecer o Shut Up ‘n Play Yer Guitar, do Frank Zappa, cuja caixinha lá passou uns 10 anos a dar boa conta de si. Tal como o Field & Stream, do Elliot Sharp, que me recordará sempre a atuação do astro nova-iorquino na casa. Recordo também a noite em que lá apareci com o Doo-Bop, do Miles Davis, que trouxera de Paris, e da perplexidade que a sua munição rap provocou no pessoal do burgo Ben.

Há discos que fixam histórias pessoais de quem os compra. Queres partilhar um desses discos e a respetiva história?

Em 1973, comprei o Cheap Thrills, dos Big Brother & The Holding Company, para oferecer à minha namorada pelo Natal. Tinha a ideia de que ela iria adorar aquela esplendorosa capa do Robert Crumb, mas esqueci que ela detestava a Janis Joplin. O resultado foi uma total desavença que nos levou mesmo ao fim do namoro na tarde daquela véspera da consoada. Fiquei sem namorada, mas trouxe o disco comigo.

Um disco menos conhecido que recomendes…

Parece-me que muitos de nós estão a passar ao largo das 20.000 Éguas Submarinas do Rui Reininho. Que creio não merecer essa desatenção.

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