Os melhores discos de 2001 (edições de arquivo)

Continuamos a revisitação do que de mais marcante fica registado entre as memórias de 2021. Depois dos discos novos, focamos hoje as atenções nas edições que nasceram entre material de arquivo.

CAIXAS E GRANDES LANÇAMENTOS

David Bowie “Brilliant Adventures 1992-2000”

Depois de uma pausa de três anos, durante a qual outras edições especiais escutaram em detalhe sobretudo o período entre 1968 e 1970, eis que reencontramos a série das “caixas” de “época” que, desde 2015, têm vindo a arrumar a obra discográfica oficial desde 1969, juntando frequentemente registos inéditos, ora na forma de concertos ao vivo ora em novas abordagens às misturas e até mesmo arranjos de álbuns de estúdio, acrescentando ainda, através da série de compilações “ReCall” uma multidão de faixas (edits, lados B, raridades) que originalmente tinham surgido em singles, máxis, bandas sonoras ou outros discos. Deixando para outra oportunidade (assim espero) a etapa na qual Bowie diluiu o protagonismo entre os Tin Machine, ou seja, entre 1989 e 1991 (não nos devendo esquecer que nessa mesma fase esteve na estrada com a Sound + Vision. Tour que nos visitou), à caixa de 2018 “Loving The Alien”, que escutara a etapa de visibilidade mainstream conquistada nos anos 80, segue-se assim “Brilliant Adventure”, que documenta o período entre 1992 e o ano 2000.

Além desta caixa de David Bowie aqui ficam outros lançamentos de 2021 a ter em conta, apresentados por ordem alfabética do seu autor.

Aretha Franklin “Aretha”

Beach Boys “Feel Flows: The Sunflower and Surf’s Up Sessions 1969-1971“

The Beatles “Let It Be – Special Edition”

Bob Dylan “Springtime in New York: 1980-1985”

Classix Nouveaux “The Liberty Recordings 1981-83”

David Bowie “The Width Of A Circle”

Japan “Quiet Life – DeLuxe”

Joni Mitchell “Archives Vol 2 – The Reprise Years” (1968-1971)”

Radiohead “Kid A Mnesia”

ÁLBUNS INÉDITOS

Tangerine Dream “Live in Reims Cathedral – December 13th, 1974”

Podia ter sido a história de uma música nova em busca de um “novo” espaço (antigo) para se apresentar… Mas a passagem dos Tangerine Dream, em 1974, pela cidade francesa de Reims acabaria por ter mais vastas ressonâncias. O grupo, formado em Berlim em finais dos anos 60, o grupo tinha conquistado recentemente maiores atenções entre o Reino Unido e a França e assinado, inclusivamente, um acordo discográfico com a (recentemente fundada) Virgin Records. A pulsão experimentar dos seus primeiros discos começava a abrir caminhos para outras visões (não menos) exploratórias, mas com um rumo cada vez mais definido. Um rumo que, de certa forma, ganha forma em “Phaedra”, o álbum que em inícios de 1974 assinalou a primeira edição dos Tangerine Dream pela nova etiqueta e cativou mais atenções ainda sobre uma nova música eletrónica que ali fixara um episódio histórico.          Edição especial lançada por ocasião do Record Store Day, “Live in Reims Cathedral – December 13th, 1974” junta os dois ‘sets’ apresentados pelos Tangerine Dream nessa noite, cada qual ocupando as duas faces de um LP (que se apresentam em formato de picture disc, com imagens de vitrais da catedral). Se por um lado os dois LP desta edição única nos revelam a música ali apresentada naquela noite, os recortes de imprensa e o texto que encontramos no booklet acrescenta, juntamente com as fotos, a narrativa e o contexto.

Além deste disco dos Tangerine Dream aqui ficam outros lançamentos de 2021 a ter em conta, apresentados por ordem alfabética do seu autor.

Art of Noise “The Art of Noise In The City – Live In Tokyo 1986”

Bruce Springsteen & The E Street Band “Legendary 1979 No Nukes Concerts”

Elton John “Regimental Sgt. Zippo”

Miles Davis “Merci Miles – Live at Vienne”

Primal Scream “Screamdemodelica”

PJ Harvey “White Chalk Demos”

Prince “The Truth”

Prince “Welcome 2 America”

Tears For Fears “Live at Massey Hall – Toronto, Canada, 1985”

COMPILAÇÕES

Telex “This is Telex”

São um nome talvez hoje esquecido entre o panorama da pop europeia do seu tempo. Os mais atentos à emergência de experiências pop com eletrónicas devem lembrar-se do seu álbum de estreia “Looking For St Tropez”, editado em 1979. Por seu lado, os aficionados eurovisivos talvez conhecerão “Euro-Vision”, de 1980. Há cerca de um ano dois dos elementos dos (extintos) Telex arregaçaram as mangas e mergulharam no arquivo de gravações do grupo. Remasterizaram 60 canções, entraram em contacto com a Mute Records e, agora, eis que surge uma primeira expressão de um novo acordo editorial. Compilação com 14 canções, “This is Telex” é um cartão de visita aos públicos do século XXI convidando-os a (re)descobrir uma obra pioneira do século XX. Que este (delicioso) “best of” lançado pela Mute seja o início de uma campanha capaz de nos devolver uma discografia que merecia maior visibilidade (e que nos lembra que a aventura pop eletrónica foi, sobretudo, uma expressão cultural de uma Europa em busca de identidade e modernidade entre finais dos setentas e inícios dos oitentas).

Além desta compilações dos Telex aqui ficam outros lançamentos de 2021 a ter em conta, apresentados por ordem alfabética do seu autor.

Nancy Sinatra “Start Walkin’ 1965-1976”

Nick Cave + Bad Seeds “B-Sides and Rarities Part II”

OMD “Architecture + Morality – The Singles”

White Stripes “Greatest Hits”

Vários “Best of Bond… James Bond”

Vários “Shake The Foundations: Militant Funk & The Post-Punk Dancefloor 1978-1984”

Vários “Musik Music Musique – 1981, The Rise of Synth Pop” 

Vários “The Trojan History”

Vários “Two Synths, A Guitar (and) A Drum Machine”

REEDIÇÕES

José Afonso “Cantares do Andarilho”

Foi originalmente lançado em 1968, representando o final de um hiato nos discos que José Afonso vivera depois da sucessão de títulos em 78 rotações, EP e até mesmo um primeiro álbum, que definiram um primeiro ciclo entre 1953 e 1964 no qual, essencialmente assistimos à procura de uma identidade e de um novo caminho para uma voz originalmente nascida entre a canção de Coimbra. Depois de uma etapa em que a sua vida deu ao professor (que já antes era) um protagonismo sobre o músico, e durante a qual viveu algum tempo em Moçambique, José Afonso voltava aqui a fixar em disco as suas canções. E se os míticos EPs que tinham revelado a “Balada do Outono” e os decididamente marcantes “Os Vampiros” e “Menino do Bairro Negro” e o álbum de estreia “Baladas e Canções” (1964) no qual os horizontes já iam bem além das raízes coimbrãs, foi em “Cantares do Andarilho” que um percurso de maior fulgor, desafio e regularidade se iniciou… A 1 de outubro de 2021 iniciou-se, com este disco, uma uma campanha de reedições que, aos poucos, não só leverá ao ‘streaming’, mas também de regresso aos suportes físicos (LP e CD) os discos que José Afonso lançou originalmente entre 1968 e 1981. Para já, além deste álbum de 1968, o primeiro ciclo de reedições incluiu ainda “Contos Velhos Rumos Novos”  (1969) e “Traz Um Amigo Também” (1970).

Além deste disco de José Afonso aqui ficam outros lançamentos de 2021 a ter em conta, apresentados por ordem alfabética do seu autor.

Aretha Franklin “Oh Me Oh My: Aretha Live in Philly, 1972”

Arthur Russell “Another Thought”

Buena Vista Social Club “Buena Vista Social Club”

José Afonso “Contos Velhos Rumos Novos” 

José Afonso “Traz Um Amigo Também”

Philip Glass “Dance Nos. 1-5”

R.E.M. “New Directions In Hi Fi”

Scritti Politi “Cupid & Psyche 85”

Ultravox “Vienna”

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