Michael Jackson “Thriller 40”

Ao assinalar a passagem de 40 anos sobre a edição do álbum que Michael Jackson apresentou em 1982, eis que surge uma reedição de “Thriller” que junta ao disco uma série de canções gravadas nas mesmas sessões, mas que acabaram fora do alinhamento. Texto: Nuno Galopim

Michel Jackson era, em 1982, dono de uma voz longe de ser já desconhecida. Tinha seis anos quando começou a cantar com os irmãos e dez quando, em 1969, se estreou em disco com os Jackson 5. Três anos depois começou a lançar discos em nome próprio, desenvolvendo uma carreira a solo ao mesmo tempo que continuava a trabalhar com os irmãos que, depois de 1976, passaram a responder como The Jacksons. Em 1979 o seu quinto álbum a solo, Off The Wall, representara um momento de triunfo pessoal em grande escala. E mesmo sem conquistar os prémios que desejava, o disco valeu-lhe um considerável alargamento da sua plataforma de admiradores. É sob este estatuto que, nos primeiros meses de 1982, volta a entrar em estúdio ao lado de Quincy Jones (que o tinha já acompanhado no disco de 1979) para criar um sucessor de Off the Wall para o qual partia com uma série de premissas, desde a ideia de fazer de cada faixa um potencial single a uma vontade em alargar o espectro das referências musicais, afastando-se das proximidades do disco por onde o álbum anterior havia caminhado em diversos momentos, sem perder, contudo, as afinidades para com os espaços da soul. Assim nasceu Thriller, que ora cita o clássico Soul Makossa de Manu Dibango na faixa de abertura ora chama McCartney para um dueto em The Girl Is Mine, ora pisca o olho ao rock em Beat It ora aprofunda a colaboração (partilhada em estúdio) com os músicos dos Toto em Human Nature, isto sem esquecer momentos maiores como a visão perfeita da canção pop que se escuta em Billy Jean, a celebração das suas genéticas soul e funk em P.Y.T. (Pretty Young Thing) ou revela uma visão de narrativa cinematográfica (que o respetivo teledisco depois exploraria) na canção que dava título ao álbum. 

É habitual ouvir falar-se de Thriller com uma mão cheia de números. Como se os feitos nas vendas, na quantidade de singles extraídos do disco (sete ao todo) ou a quantidade dos prémios que arrebatou fossem por si explicação para o facto de ser um dos mais importantes casos da história da música gravada. De facto os números importam. Mas apenas porque traduzem a realidade de um corpo de canções que os justifica (e aquela frase um tanto ignorante, e tantas vezes usada, “é só marketing…” não teria sentido não houvesse, antes da arte da comunicação, um disco realmente capaz de responder aos desejos de quem trabalhava a sua exposição).

Os feitos musicais são inequívocos e por si justificam o atribuir a Thriller (talvez em conjunto com Off The Wall) o título de obra-prima de Michael Jackson. Porém, o estatuto que o álbum atingiu muito deveu ao facto de ter nascido num momento em que se descobria o potencial do teledisco como nova ferramenta de divulgação musical, tendo Michael Jacskon sido dos primeiros a compreender qual seria a forma ideal de, através desse novo veículo, trabalhar uma imagem para dar forma 

física a um som.

Com maios de 70 milhões de unidades vendidas à escala global, fazendo de si o disco mais vendido de sempre, Thriller conheceu várias reedições desde 1982. A mais recente, a assinalar agora o seu 40º aniversário, junta num disco extra uma série de canções que nasceram nas mesmas sessões. Michael Jackson e Quincy Jones trabalharam então perto de 30 canções, das quais apenas nove ficaram fixadas no alinhamento do álbum. A nova edição, com o título Thriller 40, junta dez canções no disco 2, a sua maioria na forma de maquete (mas num estado próximo do que seria uma mistura final). Destacam-se o funk com travo pop de Got The Hots, o festim electro funk de She’s Trouble ou o belíssimo Behind The Mask, tema nascido de um instrumental da Yellow Magic Orchestra mas que, em 1982, por falta de um entendimento na divisão dos direitos, acabou na gaveta (até que depois emergiria num álbum póstumo). A versão digital desta reedição vai ainda mais longe e acrescenta 15 faixas mais, sobretudo maquetes e remisturas de canções do álbum de 1982. A multidão de extras ajuda a conhecer mais em profundidade a demanda que Michael Jackson protagonizou em meses de trabalho de estúdio que terminaram apenas a 20 dias do lançamento do álbum. Para chegar aos 30 temas então trabalhados ficam ainda alguns para conhecer… Ficam para o Thriller 50, em 2032?

“Thriller 40”, de Michael Jackson, está disponível em 2CD e nas plataformas de streaming numa edição da Epic/Sony Music

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