Os melhores discos de 2022 (edições de arquivo)

Continuamos aqui a viagem pelos títulos mais marcantes que em disco nos chegaram ao longo de 2022. As escolhas hoje versam as edições de arquivo nascidas ao longo do ano. Textos: Nuno Galopim

As escolhas, tal como no ano passado, surgem divididas em quatro listas: caixas e grandes lançamentos, compilações, álbuns inéditos e reedições.

CAIXAS E GRANDES LANÇAMENTOS

David Bowie “Divine Symmetry: The Journey to Hunky Dory”

Editado em 1971, o álbum Hunky Dory abriu novos desafios à música de David Bowie. Tomando Changes por mote, passou a levar a sugestão da canção a rigor. E depois foi o que se viu… A primeira edição de Bowie para a RCA, foi, tal como a maioria dos discos anteriores (salvo Space Oddity), um flop… Mas deixava no ar uma ideia nova. Houve quem mais tarde falasse de um manifesto. E a verdade é que, ao descobrir as potencialidades que a noção de mudança dava ao artista, Bowie encontrou um caminho. Hunky Dory era então tudo menos o que se imaginara como sucessor para The Man Who Sold The World. Uma banda nova (que mantinha apenas a presença do guitarrista Mick Ronson), um novo produtor (Ken Scott), uma nova orientação musical nascida de canções essencialmente compostas ao piano. E, acima de tudo, uma mudança significativa na agenda temática convocada. Este era um disco de catarse, tendo Bowie mais tarde descrito a personagem que aqui vestiu como a sua própria projecção no hipotético sofá de um psicanalista. Um disco libertador, ponto de viragem (e de nova partida) que se provaria episódio fulcral na sua história musical. Na linha de edições recentes que exploraram os bastidores dos discos de 1969 e 1970, a caixa Divine Symmetry: The Journey to Hunky Dory (juntando CD, DVD e um livro) narra este caminho de descoberta e mudança. Maquetes, gravações na rádio, captações ao vivo, servem as pistas que o livro (com texto e imagem) nos vai contando. Próxima paragem em 2023? Ziggy? O meio século de Aladdin Sane? Ou os 40 anos de Let’s Dance?

Além da caixa de David Bowie outros nove lançamentos completam a lista dos dez eleitos do ano neste departamento. Aqui fica a lista completa, ordenada alfabeticamente.

Blondie “Against The Odds”

David Bowie “Divine Symmetry: The Journey to Hunky Dory”

George Michael “Older”

Joni Mitchell “The Asylum Albums 1972-1975”

Neil Young “Harvest – 50th Anniversary”

Pink Floyd “Animals 2018 Mix”

Suzanne Vega “Close Up Series” (*)

The Beatles “Revolver”

The Rolling Stones “The Singles Vol 1 1963-1966″

Ultravox “Rage in Eden”

(*) Edição em vinil

COMPILAÇÕES

Vários “The Vaults of Zagora Records Mastermind (1971-1984)”

O atual gosto pela escavação das memórias dos mais diversos arquivos de gravações tem devolvido ao nosso conhecimento todo um mundo de pérolas cujas obras em parte tinham já conhecido os efeitos da erosão que o tempo sobre tudo pode lançar. Do francês Daniel Vangarde (de apelido real Bangalter) é natural que nos possamos lembrar de êxitos como D.I.S.C.O. dos Ottawan, Aie a Mwana, canção em swahili que conheceu a sua mais famosa versão pelas Bananarama ou Cuba, dos Gibson Brothers. Escreveu também para nomes maiores da canção em língua francesa como Claude François, Joe Dassin ou Dalida, mas também trabalhou com Petula Clark. Mas muito maior do que esta ponta do icebergue é todo um vasto corpo de trabalho, por vezes animado com vitaminas de desafio futurista, que animou este compositor francês que, a dada altura, chegou também a editar em nome próprio. Pois vale-nos agora o suculento alinhamento da compilação The Vaults of Zagora Records Mastermind (1974-1984) para termos uma visão mais ampla do seu trabalho e, com justiça, juntar o seu nome à história das expressões que o disco sound foi criando em solo europeu na segunda metade da década de 70.

Além desta antologia de criações de Daniel Vangarde outros nove lançamentos completam a lista dos dez eleitos do ano entre as compilações. Aqui fica a lista completa, ordenada alfabeticamente.

Christine McVie “Singbird”

Emmy Curl “15 Years”

Frankie Goes To Hollywood “Alternate Reels”

Kraftwerk “Remixes”

Madonna “Finally Enough Love”

Paul Weller “Will Of The People”

The Police “Around The World”

T-Rex “1972”

Vários “Electrónica Jugoton Vol 1 – Synthetic Music From Yugoslavia 1980 – 1989”

Vários “The Vaults of Zagora Records Mastermind (1971-1984)”

ÁLBUNS INÉDITOS  

Prince & The Revolution “Live”

Originalmente lançado em vídeo, disponível depois como extra em DVD e depois em streaming, surge finalmente em vinil e CD um registo da digressão que se seguiu ao lançamento do álbum “Purple Rain”. Uma gravação da Purple Rain Tour foi captada já na reta final da digressão iniciada em finais de 1984 e que cumpriu 96 datas até 7 de abril de 1985, a poucas semanas do lançamento de Around The World in a Day, álbum no qual Prince deixou claro que não ia repetir as ideias do disco que lhe dera estatuto global. Por essa altura, e ao que parece, Prince já estava aborrecido com as rotinas desta digressão e sonhava já com nova música. Mas quem escutar esta gravação não imaginará nunca que a coisa assim era. A 30 de março de 1985, no Carrier Dome (em Syracuse, no estado de Nova Iorque), a atuação captou uma banda segura e há muito no pleno domínio das ideias em jogo nesta tour. O concerto apresenta Prince acompanhado pela sua banda de então, os Revolution, pelo que nos mostra em palco as presenças de Wendy Melvoin, Lisa Coleman, Dr. Fink, Mark Brown, Eric Leeds e Bobby Z. Estavam num pico de forma.

Além do álbum ao vivo de Prince com os Revolution outros nove lançamentos completam a lista dos dez eleitos entre títulos de arquivo que conheceram edição individualizada este ano. Aqui fica a lista completa, ordenada alfabeticamente.

Duran Duran “Hammersmith ’82” (**)

Howard Jones “Live in Japan”

INXS “Recorded Live at The US Festival 1983”

Lou Reed “Words and Music, May, 1965”

Miles Davis “What it is – Montreal 7 / 7 / 83”

Pixies “Live in Brixton”

PJ Harvey “Let England Shake Demos”

Prince & The Revolution “Live” (***)

The Rolling Stones “El Mocambo 1977”

The Rolling Stones “Licked Live in NYC”

(**) Existia como extra em CD na edição em DVD e em formato digital. Esta foi a primeira edição individualizada, com capa própria, em suporte físico.

(***) Esta gravação foi originalmente apresentada em vídeo, esteve disponível depois como extra numa edição em DVD e, mais tarde, teve o áudio disponibilizado em streaming.

REEDIÇÕES

Duran Duran “Medazzaland”

Editado apenas nos EUA e Japão em 1997 e assombrado por um momento de quebra de vendas, o álbum “Medazzaland” aproximou o grupo de terrenos indie e tem finalmente edição em CD em solo europeu e surge, pela primeira vez, em vinil. O disco foi de génese difícil, assistindo mesmo a um novo episódio de cisão interna ao confirmar-se a saída do baixista John Taylor, gesto na verdade já indiciado durante a criação do álbum editado em 1993 mas então adiado até este momento. O afastamento de um dos dois fundadores do grupo levou mesmo a novos episódios de trabalho em estúdio e à regravação de vários temas, a sua presença limitando-se no fim a apenas quatro canções do alinhamento final. O álbum porpunha um aprofundar de caminhos sugeridos no Wedding Album, explorando um trabalho de arranjos mais intenso e complexo, ensaiando experiências por novos terrenos, assimilando entre outras heranças as do psicadelismo ou da música indiana (Talvin Singh, nas tablas, é um dos convidados), num corpo de canções que se revelaria o mais inspirado e suculento da obra do grupo nos anos 90.

Além do álbum dos Duran Duran outros nove lançamentos completam a lista dos dez eleitos do ano entre as reedições. Aqui fica a lista completa, ordenada alfabeticamente.

Associates “Sulk”

David Sylvian “Blemish”

Duran Duran “Medazzaland”

Japan “Exorcising Ghosts”

José Afonso “Venham Mais Cinco”

Michael Jackson “Thriller 40”

Prince “The Gold Experience”

Sparks “The Seduction of Ingmar Bergman”

TV Mania “Bored With Prozac and the Internet”

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