The Wolfgang Press “Funky Little Demons” (1996)

Editado em 1995 o álbum “Funky Little Demons” acentuou a viragem que os Wolfgang Press tinham ensaiado em “Queer” e conciliava cruzamentos de ecos de escolas indie com a descoberta da (nova) cultura do ‘sampling’. Texto: Nuno Galopim

Nascidos em Londres em 1983, os Wolfgang Press foram um nome marcante nas primeiras etapas de vida da editora 4AD, criando uma sucessão de discos que, inicialmente, ajudaram a definir parte da face mais sombria da personalidade da etiqueta que então era então uma das mais mobilizadoras do cenário indie. Mas, tal como sucede em tantas outras histórias, um momento de viragem abriu novos horizontes e levou-os por caminhos que contribuíram para a construção dos seus dois mais interessantes álbuns: Queer (1991) e Funky Little Demons (1995).

O catalisador para a mudança que levou os britânicos Wolfgang Press a novos desafios não foi senão o histórico 3 Feet High and Rising, o álbum “clássico” que assinalou a estreia dos De La Soul em 1989. Foi aí que reconheceram um novo sentido de frescura e uma alma lúdica que resolveram depois transportar para o som da banda. Experimentaram primeiras aproximações a novas ideias em Queer e, em quatro anos depois, em Funky Little Demons, atingem uma ideia pop luminosa, cruzando um sentido clássico de canção com estruturas rítmicas escutadas entre uma música feita com samples, cortes e colagens e com cereja sobre o bolo nos jogos de contrastes possíveis entre a voz de barítono de Michael Allen e das vozes femininas (de escola R&B) que escutamos em alguns coros. As canções assinalam também um evidente contraste com as que em tempos o grupo levara aos seus primeiros discos sobretudo pela arquitetura mais estruturada pela qual se desenham.

Funky Little Demons, que é editado quando o grupo está já reduzido a um duo (Andrew Gray e Michael Allen, contando contudo ainda a criação do disco com a colaboração do teclista Mark Cox) é um álbum na mais profunda definição do termo. Um conjunto de canções que se relacionam esteticamente entre si, da soma das 12 canções que constituem o alinhamento nascendo então um corpo uno e consequente. Na altura chegou a ser extraído um single do alinhamento deste álbum: Going South, lançado em vários formatos por alturas da edição do disco. Mas convenhamos que temas como ChainsExecutioner ou Fallen Not Broken, que podem ser enumerados entre os melhores de toda a obra da banda, poderiam ter conhecido um destino comum. Mesmo assim, o valor conjunto de Funky Little Demons é o de um ciclo de canções que, juntas, definem um olhar pop apenas possível depois de assimiladas tanto as heranças new wave como as linguagens rítmicas associadas à cultura do sampling que marcou muita da música dos noventas. Um perfeito exemplo da melhor pop dos anos 90, portanto.

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