Simone de Oliveira “Simone” (1978)

Editado em 1978 o álbum “Simone” transformou num dos deus maiores êxitos um poema de Eugénio de Andrade. “Não É Verdade” representa um dos três momentos deste disco nos quais encontramos as palavras (nada gastas) do poeta agora centenário. Texto: Nuno Galopim

Os anos 70 assistiram à criação de todo um novo reportório para Simone de Oliveira. A mudança no timbre e o estabelecimento de novas parcerias com compositores e poetas conduziu a sua música para espaços de uma dimensão emocional mais intensa do que a que registara em muitos dos temas gravados nos anos 50 e 60. O álbum de 1974 assinalara um episódio e o de 1976 o da confirmação de novos caminhos. Coube, contudo, a este disco, editado em 1978 num momento de reencontro com a editora Alvorada (onde iniciara a carreira discográfica, precisamente 20 anos antes), o episódio que fixa o “novo” cânone na obra da cantora.

O título, que se resume ao nome da protagonista, é desde logo uma sugestão disso mesmo, preparando-nos para um conjunto de canções pelas quais passam claras marcas de presença da vida da própria cantora. Aqui surgem alguns clássicos maiores da sua obra pós-Desfolhada – como Ribalta, Não É Verdade, Visita de Camarim ou Adeus (Palavras Gastas) – num alinhamento suportado por uma abordagem orquestral clássica, embora aberta a novos desafios. E neste disco estes desafios ganham forma numa presença de eletrónicas que (discretamente) afirmam marcas de contemporaneidade em canções como Não É Verdade e Adeus, ao mesmo tempo que, em Mesa Sem Ninguém, Cama Com Tão Pouco, procura caminhos diferentes para a presença da guitarra portuguesa.

Nuno Nazareth Fernandes e José Luís Tinoco são os compositores mais representados num alinhamento que, no campo das palavras, aceita uma colaboração de Varela Silva (no muito pessoal Visita de Camarim) e acolhe, em três canções, poemas de Eugénio de Andrade (Não é Verdade, Adeus e Adeus – Palavras Gastas), representando de resto este disco, para além do álbum O Peso da Sombra, de Luís Cília, e de um ciclo de canções de Fernando Lopes Graça, um dos discos com maior representação das palavras do poeta, agora centenário. Com produção de Carlos Lacerda o álbum contou com arranjos e direção de orquestra com Thilo Krasmann, um velho colaborador. A capa – um gatefold – apresenta as letras das canções. E na contracapa o texto de apresentação é, desta vez, da própria Simone. 

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