Simon Booth (1956-2023)

Guitarrista, produtor e DJ, Simon Booth surgiu com os Weekend, teve um papel maior na história através dos Working Week, colaborou com Baaba Maal e Manu Dibango e esteve na criação dos coletivos Afro Celt Sound System e The Imaginated Village. Texto: Nuno Galopim

Pode não ter sido um nome daqueles que a história da música costuma levar às capas dos livros sobre uma década, um movimento ou algo assim. Mas entre as bandas que integrou e os músicos com quem trabalhou (como guitarrista ou produtor), Simon Booth está também longe de ser uma nota de rodapé na história da música. Na verdade, se olharmos para espaços em volta da criação de relações entre o jazz e as músicas de raiz com a criação de canções, sobretudo entre os anos 80, 90, em diversas ocasiões encontraremos o seu nome associado a momentos que não passaram despercebidos. Nascido em Londres em 1956, Simon Emmerson (esse era o seu nome real) deixou-nos ontem, aos 67 anos. 

Muitos descobriram a sua presença quando, em 1982, surgiu a bordo dos Weekend, a banda (de vida curta) que acolheu a voz de Alison Statton depois da (também breve) vida dos Young Marble Giants. Se “La Varieté” dos Weekend foi o momento da descoberta, coube ao passo seguinte o elevar do nome de Simon Booth a um maior patamar de atenção. No mesmo ano em que surgia como guitarrista no álbum “Eden”, que então apresentava os Everything But The Girl,  nasciam discograficamente os Working Week, projeto que teve Simon Booth como timoneiro, juntamente com o saxofonista Larry Stabbins (que vinha também dos Weekend) e a cantora Juliet Roberts, e pelo qual visões possíveis entre o jazz, a música latina, a canção popular e, mais adiante, as formas emergentes de novas cenografias para a soul. E a estreia foi retumbante, ao som de “Venceremos!”, canção que evocava a figura do chileno Víctor Jara, contando com as vozes de Robert Wyatt e Tracey Thon (dos Everything But The Girl). A canção surgiu no alinhamento de “Working Nights” (1985), álbum de estreia ao qual se seguiram “Compañeros” (1986), “Surrender” (1986), “Fire in The Mountain” (1989) e “Black and Gold” (1991). 

Ainda durante o tempo de vida dos Working Week vimos Simon Booth a assinar trabalhos de produção, colaborando em discos de nomes como Baaba Maal (num dos casos, em “Firin’ in Fouta”, de 1994, valeu à equipa uma nomeação para um Grammy) ou Manu Dibango, vultos maiores da música africana do século XX. Entre os trabalhos de produção surgiu, ainda por esta altura, “Starsky & Hutch” do James Taylor Quartet, ou “The Odd One (Part 1)” do trio What’s What, em ambos os casos refletindo uma relação com o acid jazz que então cativava atenções. O percurso posterior de Simon Booth (que passa então a assinar com o seu nome real) passou depois pelo coletivo Afro Celt Sound System (um dos casos maiores do catálogo da Real World a partir de meados dos anos 90) e, mais adiante, o projeto The Imaginated Village, por ambos tendo alargado a sua visão a músicas de diversas latitudes e longitudes, em ambos os casos valorizando sobretudo raízes célticas que terão tudo a ver com a geografia onde nasceu.

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