Editado em 1965, numa etapa em que era através da Reprise Records (criada pelo próprio cantor) que lançava os seus discos, este foi o quinto episódio de colaboração de Frank Sinatra com o maestro e arranjador Gordon Jeninks e o mais exemplar desses seus vários momentos de trabalho conjunto com orquestra. Os dois voltariam ainda a colaborar em mais três álbuns editados entre 1973 e 1981. O álbum ganhou forma e foi editado no mesmo ano em que Sinatra participou, juntamente com Dean Martin e Sammy Davis, Jr. num concerto realizado na Kiel Opera House in St. Louis que foi transmitido em direto, em circuito fechado, para várias salas de cinema nos EUA. Nesse mesmo ano encabeçou o elenco do filme “O Expresso Von Ryan” de Mark Robson, foi a estrela de especiais de televisão com Walter Cronkite (na CBS) e ainda “Frank Sinatra: A Man and His Music” (na NBC, aqui a cores) e partilhou com Count Basie o palco num dos momentos maiores do cartaz do Festival de Jazz de Newport numa mesma edição em que ali passaram nomes como John Coltrane, Miles Davis, Thelonious Monk, Stan Getz, Dizzie Gillespie ou Duke Ellington.

Além da brilhante escolha de repertório (essencialmente feita em canções relativamente recentes, algumas de autores então menos conhecidos, com espaço para alguns clássicos, um deles September Song, de Kurt Weil e Brecht), o álbum destaca precisamente um trabalho notável de uma orquestra sumptuosa que encontra o perfeito parceiro de diálogo num Sinatra, então com 50 anos, a viver os seus melhores dias como cantor.
Disco sobre o envelhecimento e o valor da memória, tem entre o alinhamento não apenas o irrepetível “It Was A Very Good Year” (em cuja sessão de gravação esteve presente uma equipa de televisão, que levou depois essas imagens ao especial de Walter Cronkite) mas também o tema título que se tornou outra referencia da obra de Sinatra, tão pessoal na sua interpretação que raras foram as vezes em que outros abordaram esta canção. Registado em quatro sessões de gravação entre abril e maio de 1965, editado em agosto do mesmo ano (ou seja, celebra o seu cinquentenário em 2015), “September of My Years” valeu a Sinatra vários Grammys em 1966 e representou, depois de “The Concert Sinatra” (1963) o seu segundo grande lançamento através da Reprise, para a qual começara a gravar em 1961.





Deixe um comentário