E hoje acordámos com um novo disco de David Bowie

Resultado de uma sessão para a BBC registada por ocasião do 50º aniversário de Bowie (em 1997), “ChangesNowBowie” chama sobretudo a atenção para o facto de a sua obra ter canções magníficas para além dos singles eternamente revisitados nos ‘best of’. Texto: Nuno Galopim

Estava inicialmente agendado para ter edição em LP e CD no Record Store Day, a 18 de abril, mas o lançamento em suportes físicos acabou foi adiado para a nova dada entretanto remarcada para esse dia que assinala e celebra a cultura das lojas de discos independentes, ou seja, a 20 de junho. Mesmo assim foi decidido que se mantinha, para o dia 18 de abril, o lançamento do alinhamento desse disco nas plataformas digitais de streaming. E assim hoje podemos acordar ao som de ChangesNowBowie. E com ele talvez o mais saboroso de todos os discos com gravações inéditas que o arquivo de Bowie nos deu a escutar depois do seu desaparecimento.

O álbum vai apresenta o registo de uma sessão que David Bowie gravou para a BBC para celebrar o seu 50º aniversário, a 8 de janeiro de 1997. No programa, além das canções, Bowie recebeu mensagens e perguntas de nomes como os de Scott Walker, Damon Albarn, Robert Smith ou Bono, entre outros. Nessa sessão Bowie contou em estúdio com as presenças de Gail Ann Dorsey (baixo, voz), Reeves Gabrels (guitarras) and Mark Plati (teclas e programações). Como método, até para estabelecer um contraste face ao concerto que depois assinalou a data no Madison Square Garden, com muitos convidados, Bowie e músicos revisitaram um lote de canções através de abordagens essencialmente acústicas.

A abordagem, assim como o próprio alinhamento, parecem sugerir um universo de referências e reflexões que poderão estar na origem da mudança de rumo que se verificaria depois entre Earthling (editado nesse mesmo 1997) e hours… (que chegaria dois anos depois e que não escondia ligações a memórias da alvorada dos anos 70). Entre os nove temas aqui reunidos estão dois recolhidos no alinhamento do álbum de 1970 (The Man Who Sold The World e The Superman) dois de Hunky Dory (Andy Warhol e Quicksand), um de Ziggy Stardust (Lady Stardust) e o tema-título de Aladdin Sane. Dessa fase data ainda um gosto por tocar ao vivo o clássico White Light/White Heat dos Velvet Undeground, que aqui também surge. Na verdade só não provém desta etapa (70-73) memórias algo esquecidas dos dias de Lodger (Repetition, belíssima canção agora recuperada como single) e até dos Tin Machine (Shopping For Girls é uma canção do segundo álbum da banda e supera nesta versão essa leitura original, o que nos deixa a pensar que vale a pena reavaliar um dia o real potencial do material dos Tin Machine, embora para além das abordagens que ficaram fixadas em disco).

Se por um lado este “novo álbum” serve como exemplo da multiplicidade de abordagens possíveis às canções de Bowie (pelo próprio e companheiros) por outro ChangesNowBowie lembra-nos que há muito na obra do músico a merecer a nossa atenção para lá dos clássicos habitualmente recuperados nos “best of” da praxe.

ChangesNowBowie” está para já apenas disponível nas plataformas digitais numa edição da Parlophone. As edições em LP e CD estão agendadas para 20 de junho.

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