Amália Rodrigues “La La La” (1968)

O gosto por comunicar com as plateias de vários países nas quais atuava e um interesse igualmente claro em explorar outros desafios e outras músicas levou muitas vezes Amália a cantar em outras línguas, sobretudo em espanhol, francês, italiano e inglês. Mas sempre com a sua clara assinatura vocal. E sempre à sua maneira.

         Em 1968 gravou um single no qual nos apresentou versões das canções que se tinham sagrado vencedoras nas edições desse mesmo ano do Festival Eurovisão da Canção e do Festival de San Remo.

         Composta pelo chamado Duo Dinâmico (Manuel de la Calva e Ramón Arcusa, que se tinham conhecido em Barcelona), a canção “La La La” fora escolhida como representante de Espanha na edição de 1968 do Festival Eurovisão da Canção. E Juan Manuel Serrat estava inicialmente convidado para a interpretar. Porém, ao fazer saber que pretendia cantá-la em catalão Serrat foi afastado e em seu lugar entrou a jovem cantora Massiel, que levaria a canção à vitória na edição desse ano, realizada no Royal Abert Hall em Londres, ultrapassando o favorito “da casa” Cliff Richard.

              Já Canzione Per Te (da dupla Endringo / Bordotti) teve uma vida mais tranquila, conquistando a vitória em San Remo para Sergio Endringo, sendo também ali interpretada por Roberto Carlos. Nesse ano concorreram a San Remo vozes como as de Milva ou Ornella Vanoni e entre as estrelas internacionais convidadas surgiram, além de Roberto Carlos, nomes como os de Louis Armstrong ou Dionne Warwick.

              Acompanhada pelo grupo de guitarras de Raul Nery, Amália transforma consideravelmente a abordagem a La La La, chamando-a claramente a terreno seu, iluminando-a por um lado com uma voz bem mais capaz de criar intesdidade dramática que Massiel, moldando o refrão a um clima mais melancólico, em contraponto com o festim da leitura original apresentada em Londres, no palco da primeira Eurovisão transmitida a cores. Em Canzione Per Te temos outro exemplo da rara capacidade interpretativa de Amália. Este é um single algo esquecido, mas que dá conta não só da sua adaptabilidade mas também do modo como conseguia encontrar caminhos “autorais” para a sua voz em outras músicas.

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