Martha & The Vandellas “Dancing In The Street” (1964)

De Marvin Gaye (um dos autores) a Martha Reeves (com as Vandellas), passando pelos Kinks até chegar a uma nova versão clássica com David Bowie e Mick Jagger, “Dancing In The Streets” surgiu em 1964 e mostra uma notável resistência à erosão do tempo. Texto: Nuno Galopim

A ideia nasceu numa tórrida noite de Verão em Detroit… Mikey Stevenson via as pessoas a refrescar-se junto a água que jorrava de bocas de incêndio em plena rua. E escreveu uma primeira letra, pensando numa balada. Ao ler as palavras Marvin Gaye sentiu uma outra vida para a canção que ali podia nascer, imaginando-a com um ritmo de dança. Entregue pouco depois a Martha Reeves, que a adaptou a um arranjo vocal seu, Dancing In The Street chegou às lojas de discos em finais de Julho de 1964, em gravação pelo trio vocal Martha and the Vandellas, para se transformar num dos grandes êxitos desse verão e, ao mesmo tempo, numa canção de referência na história da Motown Records.

A canção rapidamente conquistou depois um segundo sentido. Se numa primeira leitura (a que inspirara) tinha nascido como uma mera celebração do verão, do calor, e do sentido de liberdade que lança em todos nós, a verdade é que a evolução da história política e social dos Estados Unidos durante a década de 60 acabou por transformá-la num hino em favor do movimento de luta pelos direitos civis.

O tempo passou e novas versões continuaram a surgir. Uma delas, logo em 1965 pelos Kinks, que a colocaram a abrir o lado B do seu segundo álbum, Kinda Kinks. Um ano depois, em 1996, também os The Mamas & The Papas gravavam uma versão para o seu segundo álbum, chegando mesmo a editá-la também num single, partilhando aí o alinhamento com Words of Love. Ainda em 1966 os suecos Tages incluíam uma versão da canção no seu segundo álbum (Tages 2), editando-a depois em single em 1967. Os Grafeful Dead, que por essa altura começara, também a tocar uma versão da canção nos seus concertos, acabariam por fixar a sua visão numa faixa do álbum Terrapin Station, mudando a grafia para Dancin’ in the Streets. Já na década de 80 teve destaque uma versão assinada pelos Van Halen, que começou por surgir no álbum Diver Down e teve depois vida a 45 rotações, num single. Mas apesar de toda esta multidão de versões, a que mais fez história depois da original surgiria em meados dos anos 80, juntando dois veteranos.

Vinte e um anos depois do single do trio Martha & The Vandellas, integrando o programa do mega-concerto Live Aid, uma nova versão, assinada por David Bowie e Mick Jagger, devolveu Dancing In The Street à linha da frente das atenções, afirmando-se novamente como um hino de verão, desta vez para o ano de 1985.

A ideia inicial era a de fazerem um dueto ao vivo em pleno Live Aid. Bowie em Londres. Jagger em Filadélfia. Mas a ligação por satélite obrigava a um segundo de delay, tornando a interação impraticável ao vivo… E para não obrigar nenhum deles a fazer um playback, optaram por um plano B. Bowie estava então, por esses dias, a gravar em Abbey Road as canções para a banda sonora de Absolute Beginners e, numa tarde, Mick Jagger voou até a Londres e ali passou para que gravassem uma versão da canção. Na mesma noite, com David Mallett, foram para a rua e, nas Docklands, registaram, entre uma série de takes, a matéria prima para o teledisco que seria assim o espaço de revelação da canção no Live Aid. Em meio dia um single e um teledisco nasceram assim. As imagens foram exibidas em direto para todo o mundo. E pouco depois depois era o single que estava na rua.

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