E, de repente, eis que os Kraftwerk lançam uma compilação de remisturas

Por enquanto apenas disponível em suporte digital, “Remixes” junta uma série de remisturas, sobretudo criadas e editadas em singles e máxis dos Kraftwerk lançados depois de 1991, incluindo ainda uma abordagem inédita a um tema de 1986… Texto: Nuno Galopim

Apesar de profundamente influentes entre as forças que transformaram e moldaram a música de dança desde o final da década de 70, os Kraftwerk não começaram a criar versões das suas canções com a noite em vista senão quando, em 1983, deram a François Kervorkian a missão de remisturar o single Tour de France. Até então é claro que as pistas de dança já se agitavam ao som dos Kraftwerk, mas faziam-no passando os álbuns ou singles. Na verdade havia já máxis editados desde 1978, com as edições em 12 polegadas de Die Roboter (na Alemanha) ou Showroom Dummies (no Reino Unido) a abrir essa frente na discografia do quarteto. Mas também aí eram usadas as versões originais das canções e só em 1981 o single britânico de Computer World mostra uma mistura diferente da canção apontada sobretudo aos formatos de rádio. Tour de France, em 1983, abre por isso um outro capítulo que, apesar de alguma expressão na etapa Electric Café (1986), só conhece desenvolvimento maior quando, em 1991, o grupo apresenta o álbum The Mix, no qual os próprios Kraftwerk apresentam novas abordagens às suas canções. E então, para edições em single e lançamentos promocionais, chamam outros protutores e DJ a remisturar alguns dos temas, não deixando eles mesmos de assumir também alguns desses desafios. É assim que nascem as remisturas de The Robots pelos próprios Kraftwerk, lançadas em 1991 como Robotnik (Kling Klang Extended Mix) e Robotronik (Kling Klang Mix) que, juntamente com as remisturas (desse mesmo ano) de Radioactivity por William Orbit e François Kervorkian, surgem na fase inicial do alinhamento de Remixes, um álbum, por enquanto, tem apenas edição digital.

         O alinhamento de Remixes está arrumado cronologicamente em função das canções remisturadas pelo que, depois destas que estão associadas a The Mix, surgem nove (sim, nove) leituras diferentes de Expo 2000 (entre as quais surgem remixes dos Orbital ou do sempre presente Kevorkian), surgindo depois as que surgiram na sequência do álbum de originais de 2003, nomeadamente quatro abordagens a Aero Dynamik, não faltando a mistura de Alex Gopher ou a dos Hot Chip, esta estreada num máxi de 2007 que juntava ainda La Forme (King Of The Mountains Mix), igualmente aqui presente. Ficam de fora ainda várias remisturas – como por exemplo as de 1983 e de 2003 de Tour de France, as de Telephone Call em 1986 ou Elektro Kardiogramm (Radio Mix), de 2004, o que não esgota assim, neste disco, o arquivo de remixes oficiais… Mas atenção que há aqui um inédito absoluto. A faixa que abre o alinhamento, Non Stop, corresponde a uma remix até aqui inédita de Music Non Stop

“Remixes”, dos Kraftwerk, é uma edição em suporte digital lançada pela Kiling Klang/Parlophone

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