Madonna, “Finally Enough Love”

O assinalar dos 40 anos da discografia de Madonna começa com uma edição – em vários formatos – de “Finally Enough Love”, uma colectânea que olha um percurso sempre atento às rotas e destinos da música de dança. Texto: Nuno Galopim

Como se abre uma temporada de edições destinadas a celebrar um percurso de 40 anos nos discos? Para Madonna a resposta chegou na forma de uma compilação na qual reflecte sobre um percurso de (franco) relacionamento com as pistas de dança. As primeiras notícias falavam de um projeto que poderia ter como título ‘Remix Revolution’. Convenhamos que há mais jogos de significados guardados em Finally Enough Love, o título que acabaria por ser escolhido.

O mais difícil ao encarar o desafio de criar um alinhamento perante uma história com já 40 anos de discos é a definição de um rumo que permita definir o que fica e o que não cabe… E aqui a lógica apontou a um critério bem concreto: estão aqui as canções que chegaram ao número um na tabela de música de dança da revista Billboard (precisamente porque, com o recente I Don’t Search I Find, Madonna somou ali 50 títulos que alcançaram o número um). Mesmo assim houve que fazer acertos, já que, em tempos, a tabela incluía singles e álbuns, um deles correspondendo a You Can Dance, do qual há mais do que uma faixa aqui recuperada… O que implicou a exclusão de outros temas que tivessem alcançado o número um (um deles, infelizmente, o injustamente esquecido Causing a Commotion). 

Mesmo assim, a história que se conta é feita de episódios marcantes, que partem das movimentações pop e eleitor da Nova Iorque que escutou Everybody em finais de 1982 e rumam às visões desafiantes nascidas do alinhamento do mais recente Madame X. Cronologicamente ordenadas, as canções (umas recuperadas nas remixes e edits que escutámos nos próprios singles, outras através de novas abordagens usadas em máxis e edições digitais) permitem seguir não só as rotas de transformação na obra de Madonna, mas sobretudo uma arrumação de tendências em voga na história da club culture neste arco de 40 anos. Nota-se ainda a progressiva valorização da presença do DJ e/ou produtor chamado a assinar cada abordagem,, facto que se constata num mero olhar aos títulos das remisturas. E se nomes como os de John Jellybean Benitez ou Sheep Pettibone ficam ausentes por omissão nesta lista de títulos (apesar de presentes na ficha técnica das respetivas remisturas), já figuras como William Orbit, Stuart Price (através do seu alter ego Jacques Lu Cont), Junior Vasquez, os Pet Shop Boys, Bob Sinclair, Felix da Housecat ou Avicii são creditadas na contracapa, sublinhando a dimensão colaborativa que esta família de trabalhos foi convocando ao longo dos anos.

É certo que Finally Enough Love deixa muitos episódios de fora e está longe de traduzir uma história com 40 anos de acontecimentos… Mas certamente haverá muito mais lançamentos para celebrar, durante os próximos meses, um percurso único na história da cultura popular. Este, para já, cumpre o papel de traduzir, em 50 canções, um ângulo fulcral na discografia de Madonna, sublinhando uma sempre presente atitude de abordagem às tendências do momento na música de dança.

“FInally Enough Love”, de Madonna, está disponível em 3CD e nas plataformas digitais numa edição da Rhino. Há versões reduzidas desta compilação em formatos de 2LP e CD.

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